POLICIAMENTO Diretores temem fim da Patrulha Escolar Visita da PM aos colégios está se tornando escassa e professores ameaçam abandonar as aulas do período noturno Dorico da SilvaINSEGURANÇAAs diretoras Edi Helena Angelo e Maria Aparecida Wagner diante da cerca deteriorada da Escola Paulo Freire Silvana Leão De Londrina Diretores de escolas públicas de Londrina estão preocupados com os boatos de que a ronda da patrulha escolar, serviço criado pela Polícia Militar (PM) na tentativa de inibir a violência nas escolas, estaria prestes a ser extinta. Em alguns estabelecimentos, há inclusive a queixa de que as visitas dos policiais, nos períodos da manhã, tarde e noite, praticamente não estão sendo feitas. Os resultados dos trabalhos da patrulha já chegaram a ser contestados por alguns, como a promotora da Infância e da Juventude Édina Maria da Silva de Paula, que afirmou em reportagem publicada em outubro pela Folha que a presença da polícia nas escolas não diminuiu a violência. Muitos diretores, porém, acham essencial o trabalho dos policiais para conseguir resultados positivos nesta luta. ‘‘A segurança da escola é muito precária, não temos nem muros. E a patrulha sempre nos ajudou muito neste sentido. Os policiais tornaram-se nossos anjos da guarda’’, afirma Edi Helena Angelo, diretora do Colégio Estadual Paulo Freire, localizado no Jardim Piza (zona sul). Ela diz que até agora só ouviu rumores sobre a extinção do serviço. ‘‘Não tivemos confirmação de nada, mas já percebemos que os policiais estão tendo maior dificuldade em comparecer na escola.’’ Na opinião da diretora, a presença dos policiais é importante não apenas para inibir a ação de vândalos que invadem o prédio do colégio durante a noite e nos fins de semana, mas também para detectar sinais da presença de drogas e armas entre os alunos, que muitas vezes passam despercebidos pelos professores. ‘‘Agora, que a patrulha praticamente não comparece mais na escola, estamos navegando sem rumo’’, define Edi Angelo. A diretora-auxiliar Maria Aparecida Zirondi Wagner conta que ouviu rumores de que os policiais treinados para fazer a ronda da patrulha estariam sendo remanejados para trabalhos no trânsito da cidade. ‘‘Nós achamos, porém, que a prioridade devem ser as escolas, já que a educação dos cidadãos começa aqui.’’ Pais, alunos e funcionários do Colégio Paulo Freire já estão até preparando um abaixo-assinado para entregar ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar, pedindo que a patrulha não seja extinta. ‘‘Esta semana eu até ouvi de professores que, se este trabalho deixar mesmo de existir, eles vão largar suas aulas no período da noite’’, informa Edi Angelo. O medo dos professores tem razão de ser: as cercas da escola estão deterioradas, facilitando o acesso de delinquentes. Recentemente, no período noturno, um grupo tentou invadir o prédio, bloqueando a luz e o telefone.