A dois dias do início das aulas na rede pública estadual, escolas do Paraná dispõe de equipe técnico-pedagógica. Desesperados, diretores de Londrina e região pediram à Secretaria de Estado de Educação (Seed) que adie o começo do ano letivo, até que o problema seja minimizado.
A reivindicação foi encaminhada ao Núcleo Regional de Educação (NRE), nesta semana, pela Associação dos Gestores das Escolas Públicas (Agep) formada por 127 diretores de Londrina e mais 15 municípios da região. O chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, repassou o pedido para a Seed, mas não obteve resposta oficial. Ontem, contudo, após conversas com a superintendência da secretaria, ele afirmou à reportagem: ''Não será possível adiar o início das aulas. O calendário precisa ser cumprido''.
A total ausência de supervisores e coordenadores nas escolas foi motivada por uma determinação do Estado, proibindo a ocupação dos cargos por profissionais sem formação superior em pedagogia. Até o ano passado, a função podia ser assumida por professores de qualquer área, desde que tivessem especialização pedagógica. A solução encontrada pela Seed para preencher a lacuna até que seja realizado um concurso público foi a realização de um Programa de Seleção Simplificado (PSS), que pode levar menos de uma semana. O processo ainda nem começou.
''Sem essas equipes de apoio fica inviável iniciar as aulas nesta segunda-feira. A falta de supervisores e coordenadores compromete a qualidade do ensino e põe em risco até mesmo a segurança dos alunos'', alerta o presidente da Agep-Londrina, Élcio Lentini, também vice-diretor do Colégio Estadual Maria José Balzanelo, no Conjunto Cafezal (Zona Sul).
Lentini ressalta que os diretores e vice-diretores, muitos deles estreando no cargo, ficarão sobrecarregados. ''Teremos que passar o dia inteiro na escola para dar conta de todo o trabalho. Imagine o peso disso em colégios com quase mil alunos'', cita. Ele lembra que as equipes de apoio, responsáveis pelo suporte a alunos e professores, já eram sobrecarregadas. ''Na maioria das escolas eram apenas dois funcionários, quando o ideal seria, por exemplo, um orientador para cada 80 alunos''.
Outro fator que complica, cita Lentini, é o atraso na distribuição de aulas entre os docentes. Antes feito nas próprias escolas, o trabalho foi centralizado no NRE, neste ano. Segundo o presidente, o atraso prejudicou a realização da Semana Pedagógica, evento que precede o começo das aulas e onde diretores, supervisores, orientadores e professores discutem o todo o planejamento anual. ''Isso vai comprometer todo o ano letivo'', lamenta.

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