O procurador da República em Londrina, Márcio Domene Cabrini, denunciou na Justiça Federal os diretores do Conselho Londrinense de Atendimento à Mulher (Clam), João Fernando Caffaro Góis e sua esposa, Maria Margarida de Souza Góis. O casal está sendo acusado de desvio de verba pública e superfaturamento na prestação de contas com entidades do Governo Federal, no período de 1992. As verbas que teriam sido desviadas somavam na época US$ 136 mil e foram repassadas pelo então Ministério do Bem-Estar Social (atualmente extinto), Fundo Nacional de Saúde e pelo próprio Orçamento da União.
As investigações começaram em 1993, com a abertura de inquérito pela Polícia Federal. Há três semanas o inquérito foi concluído e relatado pelo delegado João Luis do Prado. O processo passou pelo Procurador da República e, atualmente, está com o juiz da 2ª Vara Federal, Marcelo Malucelli. O juiz deverá despachar na próxima semana. Se o Clam for condenado deverá devolver ao Governo o valor recebido com correção monetária. Os responsáveis serão penalizados pelo crime conhecido como do ‘colarinho branco’, estelionato e falsidade ideológica.
As denúncias contra o Clam tiveram início com a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. A entidade londrinense foi a que mais recebeu subvenções governamentais em 1992 no Paraná e foi a única a ser auditada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo as denúncias, a entidade gozava de privilégios, como por exemplo, o recebimento de US$ 49 mil, enquanto que para o Hospital Universitário, o maior da região, foram destinados apenas US$ 15 mil. Também foi detectado que o Clam - identificando-se como entidade filantrópica -, havia atendido gratuitamente apenas 3% do total de consultas e atendimentos ambulatoriais, índice bem inferior ao estipulado pelo Ministério do Bem-Estar Social.
Em 1993, os auditores do TCU fizeram uma devassa no Clam. Os auditores Luis Alexandre Schroeder Reis e Elvira Solange Rosenau Gonçalves enumeraram, no relatório, uma extensa lista de irregularidades promovidas pelo Clam. Ficou comprovado, por exemplo, que a prestação de contas ao Ministério do Bem-Estar Social foi totalmente fraudulenta e feita com notas fiscais falsas. Foram descobertos cheques dos convênios firmados anteriormente ao recebimento dos recursos. Os auditores criticaram o Fundo Nacional de Saúde responsável pela liberação de uma parte do dinheiro, que assinou convênio com o Clam sem se preocupar com as irregularidades nas prestações de contas. Na época também foi questionada a real necessidade do Clam receber auxílios governamentais.

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