Curitiba A diretora geral do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, Suzana Mallmann, enviou formalmente ao governo do Estado uma solicitação para que sejam revistos os encaminhamentos de adolescentes que cometeram crimes para essa instituição de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela acusou o sistema atual de ser o responsável pela morte de Lucas dos Santos, de 14 anos, sufocado com a fronha de um travesseiro por dois internos. O crime aconteceu sexta-feira à noite, no hospital.
Os supostos autores do assassinato foram encaminhados para o Adauto Botelho por ordem judicial e já tinham cometido outros delitos. Um deles chegou a ser acusado de homicídio. ''Sabemos que estes meninos também precisam de atendimento e tratamento psiquiátrico. Mas nosso hospital não é habilitado e nem tem condições de segurança para tratar os menores infratores'', declarou Suzana. Não existem seguranças no hospital, o que dificulta ainda mais o controle dos internos.
O laudo de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) já confirmou que o adolescente foi morto por asfixia mecânica. Além de internos com problemas mentais, o hospital atende dependentes químicos. A hipótese de que tenha havido negligência por parte dos funcionários é descartada pela diretoria, que se vê obrigada a atender todos os encaminhamentos judiciais. Lucas estava dividindo o quarto com outro jovem, portador de Síndrome de Down. O menino já havia recebido alta por duas vezes, mas a Justiça negava que Lucas poderia deixar o hospital. Ele era de Campo Mourão.
O hospital é o único do Paraná que tem atendimento psiquiátrico público estadual e foi fundado no dia 5 de junho de 1954. A instituição possui 280 leitos, dos quais 180 destinados aos pacientes agudos e 102 aos usuários com diagnóstico de transtornos mentais de longa permanência, sem vínculo familiar, e que podem ficar no hospital por períodos que variam entre oito e 30 anos.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde informou ontem que a instituição tomou todas as medidas cabíveis assim que soube do crime. A secretaria teria imediatamente acionado as polícias Civil e Militar. Reuniões deverão definir os rumos do hospital psiquiátrico.

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