Josoé de CarvalhoVersãoA diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão: ‘O presidente tomou providências e contratou o pessoal’A engenheira e diretora de Operações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Lúcia Brandão, admitiu na tarde de ontem, em depoimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que foi a responsável pela solicitação das contratações ocorridas em fevereiro deste ano. Ela ressaltou, no entanto, que não indicou ninguém e nem teve envolvimento com as irregularidades posteriormente denunciadas pela imprensa.
Segundo ela, a responsabilidade exclusiva pelas 212 contratações irregulares - sem realização de concurso público - foi do então presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, exonerado do cargo após o caso ter sido divulgado. ‘‘Solicitei à Presidência a contratação de pessoal, porque era importante, mas não sabia exatamente o número necessário. Os novos funcionários seriam utilizados no controle da arrecadação, nas catracas, nos terminais de integração dos ônibus urbanos. O presidente tomou as providências e contratou o pessoal’’, comentou Lúcia Brandão.
O depoimento ao promotor Bruno Galatti - que preside inquérito civil público para investigar as irregularidades e responsabilidades - durou mais de uma hora. A diretora de Operações, que não estava acompanhada de advogado, afirmou que o número de contratados e a forma como as contratações se deram foram decididas em reunião do então presidente com o Conselho de Administração da companhia.
‘‘Não participei desta reunião, que criou os cargos e aprovou as contratações. Não são da minha alçada, da minha competência, as questões financeiras e trabalhistas, apesar de que muito dos contratados passaram a trabalhar nas três gerências que estão sob a responsabilidade da minha diretoria’’, explicou Lúcia Brandão. ‘‘Por isto, fui pega de surpresa. Só fiquei sabendo das suspeitas de irregularidades através da imprensa.’’
A diretora - que disse ter sido indicada para o cargo pelo prefeito Antonio Belinati (PDT) - comentou que não entende muito bem das questões legais e jurídicas ligadas à contratação de pessoal e se responsabiliza apenas pelas questões técnicas do sistema de transportes coletivos urbanos. ‘‘Talvez por isto, considerei que as contratações estavam sendo feitas de maneira normal’’, disse Lúcia Brandão. ‘‘Percebi que não houve concurso público, mas achei que estava sendo tudo legal.’’
(Osmani Costa)

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