A professora da Escola Estadual 29 de Novembro, de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão), Rosineide de Jesus Caetano foi dispensada da função de diretora do estabelecimento porque realizou uma eleição paralela no sábado passado. Pelas normas da Secretaria de Estado da Educação, a escola não teria eleição porque nenhum professor se inscreveu para o processo.
''Não fui eu que realizei a eleição. Foi a APM (Associação de Pais e Mestres) e a comunidade escolar'', disse Rosineide. A demissão do cargo chegou a ela através de uma fax com uma resolução assinada pela secretária Alcione Salyba. Segundo Rosineide, cerca de 450 pais votaram na eleição paralela de sábado. Ela foi candidata única e obteve 95% dos votos.
Segundo a diretora demitida, a intenção da eleição paralela foi mostrar ao governo do Estado que a comunidade tem interesse em participar da escola e que não quer a nomeação de professores de fora. As regras da eleição de sábado foram as mesmas da disputa realizada em 1997, quando os candidatos não precisavam passar por testes nem havia votos no Núcleo.
A chefe do Núcleo de Educação de Campo Mourão, Maria de Lourdes Maia Polizer, disse ontem que alertou três vezes a diretora de Araruna para que não realizasse a eleição paralela. ''Não dava mais. Eu não tinha outra saída'', afirmou Maria de Lourdes. Uma diretora interina vai assumir a direção do estabelecimento.
Em Campo Mourão, outros dois diretores de escolas públicas tradicionais também foram ''dispensados'' ontem. Vilma Terezinha de Souza (Unidade Pólo) e Sérgio Martinhago (Marechal Rondon) foram acusados pela chefe de núcleo de insubordinação. ''Eles não atendiam as normas vigentes e queriam criar suas próprias regras'', frisou Maria de Lourdes.
A eleição no Unidade Pólo foi cancelada porque apenas 162 dos 1.260 pais cadastrados compareceram para votar. Os dois candidatos a diretor não eram professores do colégio. ''Não fiz nada para impedir a eleição'', defendeu-se a diretora afastada. Já Martinhago afirmou ser vítima de perseguição. ''Fomos dispensados porque somos independentes e não falamos amém.''
Na maior escola da região, o Colégio João de Oliveira Gomes, de Campo Mourão, a eleição para diretor também vem gerando polêmica. O estabelecimento ainda não escolheu o novo diretor porque o atual, Jorge Simonelli, conseguiu uma liminar para disputar o cargo. Ele havia sido reprovado no teste de seleção feito pelo governo. A eleição ainda não tem data marcada.

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