O afastamento da diretora de uma creche no conjunto Alexandre Urbanas, região leste de Londrina, levou um grupo de pais à Câmara Municipal ontem para pedir o apoio dos vereadores. Os pais não concordam com a atitude da secretária municipal de Educação, Magda Tuma, que na semana passada afastou do cargo a diretora Eunice Nagal. Os pais acreditam que o motivo do afastamento é político e pediram a interferência dos vereadores, para que a diretora retome as funções na creche, que atende 75 alunos.
Conforme declaração dos pais, a diretora foi afastada depois que declarou à imprensa que faltava leite na creche. Os pais procuraram o vereador Flávio Vedoato (PL), que encaminhou o caso à Comissão de Educação da Câmara. Os vereadores Sidney Souza (PTB), Félix Ribeiro (PPS) e Carlos Alberto Bordin (PMDB) devem ir à creche hoje conversar com pais e funcionários.
De acordo com os pais, a secretária de Educação soube que havia na creche dinheiro doado por padrinhos dos alunos. O dinheiro, explicou o presidente da Associação dos Pais e Funcionários (APF) da creche, Amarildo Gomes da Costa, estava destinado à compra de um videocassete e um gravador. ‘‘A diretora não podia usar esse dinheiro para comprar leite. Isso compete à prefeitura’’, afirmou Costa. A secretária teria criticado a diretora Eunice Nagal por falta de ‘‘discernimento social dos recursos’’, por ter comprado os equipamentos e não o leite.
O presidente da APF disse que a diretora, há cerca de dois anos no cargo, exercia o cargo com competência. ‘‘Antes de ela assumir ninguém queria colocar os filhos na creche. Ela lutou pelas benfeitorias que foram realizadas’’, afirmou Costa. Ele explicou aos vereadores que a diretora se mobilizou, conseguiu ventiladores para as salas, fez campanhas para arborização e ‘‘muitas vezes colocava gasolina do próprio bolso para buscar doações na Ceasa’’. Costa garantiu aos vereadores que Eunice Nagal nunca tomou sozinha as decisões. ‘‘Todos os pais têm acesso aos livros contábeis’’, assegurou Costa.
A dona de casa Lourdes Custódia, não conseguiu ainda vaga para o filho de 3 anos, mas também quer a volta da diretora. ‘‘Ela (Eunice) estava empenhada em projeto de construção de mais duas salas’’, disse. O vereador Flávio Vedoato prometeu apoio aos pais. ‘‘Temos que fazer valer o papel de vereador e averiguar as reivindicações e denúncias. No nosso entender, a opinião da comunidade tem um peso maior do que decisões administrativas’’, argumentou Vedoato.
A secretária da Educação, Magda Tuma, disse que respeita a opinião dos pais, não se recusa a conversar, mas não vai voltar atrás na decisão que tomou. ‘‘Na direção, Eunice Nagal não teve a mesma competência do que tinha como professora’’, afirmou. Segundo Magda Tuma, a diretora não soube definir ‘‘prioridade social imediata’’. ‘‘Ainda que o dinheiro fosse de doação, ela teria que ter mais critério na forma de aplicação’’, considerou a secretária. Magda Tuma também disse já nomeou outra pessoa para a direção da creche. ‘‘Espero que a comunidade entenda e aceite a nova diretora, que está disposta a trabalhar’’, comentou.

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