Luciana Pombo
De Curitiba
A professora Iria Indalêncio Rocha, diretora afastada da Escola Estadual Professor Elysio Vianna, no bairro do Guabirotuba, em Curitiba, acusou ontem o Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Educação de perseguição política. A diretora foi tirada do cargo no dia 26 de julho por índicios de irregularidades administrativas e negligência na condução de assuntos escolares. Índicios que são questionados por ela. ‘‘Nunca houve nada contra mim, as pessoas que me acusam agora foram as que eu indiciei em inquérito policial em abril deste ano’’, disse ela.
O inquérito policial foi aberto no 7º Distrito Policial de Curitiba e cita seis pessoas e a Associação dos Moradores do Jardim Savana como autores de diversas irregularidades, como praticar iniciativas próprias sem autorização da direção da escola. A principal acusada, Marli Bahal Floriani, era a diretora auxiliar de Iria Rocha e teria sido a mentora intelectual do afastamento. Ela é mulher do chefe do Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Sul, Belmiro Floriani. ‘‘Tenho a certeza de que eles é que estão manipulando as informações para esse afastamento arbitrário’’, afirmou.
Iria contou que foi afastada através de um fax e foi impedida de entrar na escola nos dias seguintes. ‘‘Antes de ser diretora, sou professora e tinha que ser respeitada por isso’’, disse. No processo ainda estão sendo citadas: Roseli Cazura Xavier, dos serviços gerais da escola e que teria insinuado que a diretora havia desviado recursos da secretaria; Marilu do Rocio Schwank, amiga de Marli; Rosane Andreis Senger, mãe de aluno; Angela Renata Cordeiro, ex-vice-diretora e coordenadora da escola; e Ana Lúcia Weidmer Bastos de Souza, ex-diretora da escola.
O assessor jurídico da Secretaria de Estado da Educação, Manoel Mainguê, disse que os fatos denunciados precisam ser apurados e que os trâmites legais terão que continuar. ‘‘Não existe qualquer tipo de perseguição política, a diretora afastada foi ouvida e continuará sendo ouvida durante o processo administrativo disciplinar’’, afirmou ele. Mainguê disse que o processo deverá ser concluído em 90 dias e, se comprovado que as denúncias são infundadas, a diretora poderá reassumir o cargo.
Ontem, uma manifestação de pais para apoiar a volta de Iria à direção da escola estava programada, mas poucos pais compareceram. A manifestação foi cancelada. Segundo o membro do conselho escolar e secretário da Associação de Pais e Mestres, Ivo Mendes, os pais foram ameaçados e resolveram não participar do protesto. ‘‘A professora Marli disse que o colégio iria fechar se os protestos continuassem, os pais tiveram medo de perder o ano letivo’’, justificou ele. Segundo Ivo Mendes, existe uma guerra política intensa na escola.
Enquanto o processo disciplinar corre em caráter sigiloso, foi nomeada uma diretora interventora para administrar a escola. Silmara Aparecida Valério deverá permanecer como diretora por 30 dias, período em que Iria ficará afastada. O prazo poderá ser prorrogado para mais 60 dias.
Ainda ontem, a reportagem da Folha voltou a tentar contato com a interventora e com a professora Marli Bahal Floriani, mas não conseguiu localizá-las.

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