Londrina

Dorico da SilvaApertoPacientes aguardam em macas, no corredor, vaga em um dos 286 leitos do HU: uma década sem aumentar ofertaNos próximos dias o diretor-superintendente do Hospital Universitário (HU), Claudio Camacho Biazin, deverá se reunir com os secretários estaduais de Ciência e Tecnologia e da Saúde, em Curitiba. Na pauta de discussões a liberação dos recursos - R$ 30 milhões - destinados à ampliação e reforma do hospital. Os recursos foram aprovados pela Assembléia Legislativa e União para o orçamento de 96, mas até agora não foram liberados. ‘‘Quem sabe desta vez não voltamos com boas notícias. Ainda temos esperança de iniciar as obras este ano’’, afirma Biazin.
A situação do hospital é tão grave que, segundo o superintende, contraria inclusive as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde para hospitais gerais. ‘‘Se seguíssemos à risca as normas do ministério, por exemplo, precisaríamos desativar 64 leitos hospitalares’’, comenta Biazin. Ele explica que, atualmente, a distância entre um leito e outro é bem menor que a exigida pelo Ministério da Saúde para um hospital geral. Hoje o HU oferece 286 leitos, mesmo número de 10 anos atrás.
A possibilidade de reduzir o número de leitos não existe, tranquiliza Biazin. ‘‘É só um exemplo para mostrar que a reforma física é necessária, urgente e precisa ser agilizada para evitar um colapso no atendimento’’, afirma. Ele lembra que, nos últimos dois anos, o número de atendimentos quase triplicou, passando de 94.180, em 94, para 207 mil no ano passado. Mesmo com o crescimento do número, acrescenta, a demanda continua maior que capacidade de atendimento.
‘‘Pacientes internados em macas e cadeiras pelos corredores são uma rotina diária’’, comenta. Outra consequência da falta de leitos é a fila de espera por uma vaga no centro cirúrgico: 1.500 pessoas estão aguardando sua vez de fazer uma cirurgia eletiva. O seu atendimento fica na dependência da demanda por cirurgias de emergência. As cirurgias eletivas só são agendadas quando o Centro Cirúrgico está disponível e alguns pacientes chegam a esperar de seis a oito meses para serem atendidos.
Pelo Pronto Socorro do HU passam cerca de 18 mil pessoas por mês; o hospital faz, em média, 950 internações e cerca de 600 cirurgias por mês. Maior hospital público do Estado, o HU atende pacientes de 200 municípios e de outros estados como São Paulo, Mato Grosso e Acre.
Mas se a demanda cresceu, a estrutura física do hospital continua a mesma do início da década de 60, quando passou de sanatório de tuberculose para hospital geral. A idade do prédio e o projeto antigo resultam em espaços inadequados para o perfil atual do HU. Infiltrações e vazamentos, consequência da deterioração do encanamento de ferro com mais de 30 anos de uso acontecem frequentemente.
As enfermarias têm seis leitos cada e não contam com banheiro, obrigando o paciente a transitar pelos corredores. O ideal são enfermarias com dois ou três leitos com banheiro. Outro exemplo que evidencia como a estrutura física compromete o atendimento é a distância entre o Pronto Socorro (PS) e o Centro Cirúrgico - 230 metros de corredores separam um do outro. Para piorar a situação, os corredores são estreitos: têm 1,80 metros de largura quando o correto seria 2,5 metros de largura.
O prédio do HU tem 32 mil metros quadrados de área construída. Além da reforma desta área, adequando os espaços às necessidades de um hospital geral, o projeto de ampliação prevê a construção de mais 32 mil metros quadrados. A administração já comprou, com recursos próprios do HU, uma chácara ao lado do hospital para receber a obra. A ampliação será verticalizada para aproveitar ao máximo o espaço.

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