O pedido de intervenção do Pelotão de Choque da Polícia Militar partiu do diretor da Penitenciária Estadual de Londrina Dyson Ferreira de Pinho. De acordo com o diretor, não havia tempo de consultar a Secretaria de Segurança Pública, em Curitiba e nem o juiz corregedor Roberto Ferreira do Valle. ‘‘Se a PM tivesse chegado 20 minutos mais tarde haveria mortes’’, afirmou.
Um dos 26 policiais militares que participaram da operação, disse que quem pode falar do motim ‘‘são os reféns’’. Na opinião do policial, que pediu para não ser identificado, a justificativa do preso é sempre a mesma, mas é a vida do refém que precisa ser resguardada. ‘‘Eles não receberam a polícia com flores’’, assegurou. Questionado sobre a tática na hora da entrada, o policial respondeu que ‘‘houve sorte, pois os reféns saíram com vida’’.
O padre César Braga, integrante da Pastoral Carcerária, visitou alguns presos no final da tarde de ontem e disse que todos foram medicados. ‘‘Eles apresentam muitos ferimentos causados pelas balas antimotim’’, assegurou. Segundo padre Braga, os presos disseram que não sabem quem foram os líderes da rebelião. ‘‘Eles nos contaram que apenas um pequeno grupo dominou os professores. Os demais estavam trabalhando em obras na oficina e foram levados na confusão’’, disse. Os presos relataram ao padre que se renderam assim que a PM entrou, mas foram agredidos.
O advogado do Centro de Direitos Humanos Jorge Custódio Ferreira, disse que não é justa a rebelião, mas também não concorda com a truculência da polícia. ‘‘Solicitamos do secretário de Segurança que providencie uma visita à PEL, porque há fatos que fogem da alçada da direção local’’, afirmou o advogado do CDH, que vai continuar acompanhando o caso.
Os presos amotinados vão permanecer na (PEL) até que o Conselho Disciplinar resolva se vai haver transferência. A informação foi confirmada por Pinho, que ainda não tem data definida para o início das obras de recuperação da ala destruída. Pinho afirmou ainda que não calculou o valor dos prejuízos, que será feito após a vistoria da Criminalística. O relacionamento entre agentes penitenciários e presos não deve se alterar, segundo Pinho. ‘‘Os agentes vão cumprir suas funções e os presos cumprirão suas penas’’, garantiu.

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