Entre a comunidade escolar, a criação do professor do campo e da escola do campo foi bem recebida. "O nosso incentivo é para que os ex-alunos voltem para dar aula, por isso a criação do (cargo de) professor do campo é muito positivo", afirma Acyr Plath, diretor da Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Netto, em Lerroville, e das escolas dos assentamentos Eli Vive I e Eli Vive II.
Ele mesmo foi aluno da escola, retornou como professor. Atendendo 494 crianças da educação infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental, a escola do Distrito de Lerroville tem 42 professores.
Já nos assentamentos Eli Vive são 205 crianças ao todo, sendo 10 professores na Eli Vive I e 5 no Eli Vive II. "Nas escolas de lá já temos núcleos setoriais, onde são ensinados conteúdos relacionados ao campo, como ervas medicinais, horta, o que plantar, como plantar, uso de maquinário, entre outros assuntos", diz Plath. Com cerca de 60% dos alunos morando nos sítios, ele vê com bons olhos a possibilidade de um currículo diferenciado.
Para Adriana Luzia Rodrigues, presidente da Associação de Pais e Mestres (APM), quanto mais conhecimento for oferecido para as crianças, melhor. Zeladora da escola e mãe de uma menina de seis anos, ela reside no distrito e acha que será bom os alunos terem acesso aos conteúdos sobre a vida no campo. A mesma opinião tem a vice-presidente da APM, Sandra Aparecida dos Santos Pereira, que é mãe de um aluno no 5º ano do Ensino Fundamental. Ambas cursam Pedagogia e acreditam que com o novo concurso haverá mais chance de emprego para elas também, e o melhor, próximo de casa.
Na Escola Municipal Francisco Aquino Toledo, no Distrito de São Luiz (zona sul de Londrina), a diretora Márcia Aparecida Maziero Grecco também acredita que a criação do professor do campo deverá melhorar a rotina escolar. Atendendo 150 crianças entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, além da Educação de Jovens e Adultos, a escola conta com 13 professores, sendo que apenas cinco moram no distrito. Entre os alunos, cerca de 70 moram no sítio.
Para os pais, entretanto, será preciso também uma valorização do homem do campo como um todo para que a escola do campo surta efeitos. "Precisamos de uma política agrícola que valorize o produtor. Por outro lado, precisamos de professores que conheçam nossa realidade", aponta Marcos Antônio de Paulo, membro do Conselho Escolar.
Já Ednalva Onice de Paula e Olga Maria Rocha Ribeiro, membros da comunidade escolar, mas temem que a falta de estrutura inviabilize a criação da escola do campo, já que hoje as aulas funcionam no prédio de uma escola estadual durante as manhãs e a tarde em salas da paróquia. (E.G.)

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