O diretor da Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto, do Distrito de Lerroville (60 km ao sul de Londrina), Renilson Machado do Nascimento, e o funcionário público municipal Carlito Norbero Murari foram indiciados ontem por homicídio culposo (sem intenção de matar) no inquérito que apura a morte do estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos. Ele morreu a noite de 12 de agosto, ao tocar na cerca elétrica instalada irregularmente sobre o muro da escola.
O diretor admitiu ao delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, que foi ele quem deu a ordem para o servidor construir a cerca de arame farpado sobre o muro e que tinha intenção de eletrificá-la futuramente na tentativa de conter os frequentes casos de vandalismo. Nenhum dos dois, no entanto, admitiu ter ligado ou mandado ligar o disjuntor que eletrificou a cerca.
Em seu depoimento, Murari explicou que trabalhava na escola há cerca de nove meses como pedreiro e que também ''quebrava galho'' como eletricista. Afirmou que no início de julho o diretor ordenou que ele construísse a cerca de arame e, além disso, ''solicitou que instalasse um fio elétrico'' para conter os atos de vandalismo contra a escola, registrados principalmente nos finais de semana. O funcionário declarou que teria feito a instalação e ligado o fio elétrico a dois fios de arame. Em seguida, teria instalado a outra ponta do fio à caixa de energia elétrica da escola, mas não ligou o disjuntor.
Segundo o servidor, o diretor lhe afirmou que antes de eletrificar o arame nos finais de semana regularizaria a situação junto à Secretaria Municipal de Educação e outros órgãos competentes e colocaria placas de advertência. O funcionário garantiu que não sabia que o choque provocado pela energização do fio de 127 volts poderia matar uma pessoa. Seu advogado, Paul Jungen Kelter, destacou que seu cliente apenas cumpriu a ordem de erguer a cerca e a instalação elétrica e que, portanto, não poderia ser responsabilizado.
O diretor admitiu que a cerca elétrica que vai contra as normas estabelecidas estava em processo de ser instalada mas reafirmou que antes de fazer a ligação iria discutir o assunto com seus superiores e com o Conselho Escolar. ''Da ligação não sabia de nada. Estávamos fazendo estudos ainda para a instalação da cerca por causa do vandalismo contra a escola'', apontou. Somente esse ano, ele registrou quatro boletins de ocorrência denunciando a situação. Nascimento voltou a argumentar que estava de licença-paternidade no dia do acidente, que quer a apuração dos fatos e que pretende retornar ao cargo já na próxima semana. Seu advogado, Hamilton Laertes Araújo, comentou que a responsabilidade de seu cliente, se existe, é parcial porque o estudante também não poderia estar no local dos fatos.
Já para o advogado da família de Victor Hugo, José Romeu do Amaral Filho, está caracterizada a negligência tanto do diretor quanto do funcionário. Para ele, houve ''dolo eventual'' de ambos pois ao instalarem a cerca num local frequentado por crianças e adolescentes assumiram o risco por eventuais acidentes. Ele disse que além da ação criminal contra os dois, a família deverá também acionar a Secretaria Municipal de Educação na esfera Cível.
Também foram ouvidos ontem pelo delegado o vice-diretor Davi Cardoso Pereira e um adolescente que estava com Victor Hugo quando ele foi eletrocutado.

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