O diretor geral do Instituto Médico-Legal (IML) do Paraná, Francisco Moraes, que completa 39 anos na função de médico-legista e um dos profissionais mais conceituados do País, exumou ontem os corpos dos quatro rapazes assassinados na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu. Ele disse que o laudo da exumação deve elucidar vários pontos da operação policial.
Moraes afirmou que as principais questões a ser esclarecidas é se houve troca de tiros entre os rapazes e a polícia, qual foi a direção dos projéteis e a distância em que foram efetuados os disparos. Segundo ele, o laudo que será emitido até quarta-feira vai esclarecer essas dúvidas. A versão da polícia é que os rapazes foram mortos porque reagiram à prisão.
Na presença de familiares e amigos, os corpos foram retirados dos túmulos no Cemitério Parque por volta de 15 horas. Até o final da tarde de ontem, a exumação que deveria demorar quatro horas, ainda não havia sido concluída. Além de Moraes, o chefe da Divisão de Interior do Instituto Médico-Legal, Marcos Miranda, e o diretor do órgão em Foz do Iguaçu, Jomar Giostri, acompanharam a perícia. Pelo menos oito pessoas, representando o Ministério Público, Procuradoria Geral de Justiça, Corregedoria da Polícia Civil e Centro de Direitos Humanos acompanharam o trabalho dos legistas.
O promotor Paulo José Resseler, membro da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) disse que as dúvidas que o Ministério Público deseja ver esclarecidas são o motivo das mortes, quais as circustâncias e quem a polícia procurava na favela. ‘‘Queremos saber qual a distância dos disparos e se há tiros na nuca ou na cabeça, comuns em casos de execução’’, cobrou o coordenador criminal do Ministério Público, Dartagnan Abilhoa.

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