Luciana Pombo
De Curitiba
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Francisco Moraes e Silva, disse ontem que poderá pedir ele mesmo a quebra de seus sigilos telefônico e bancário para auxiliar nas investigações policiais e do Ministério Público. ele responde a denúncias de falsificação de laudos de necropsia, confecção de diárias frias, convênios irregulares com funerárias, confecção de pareceres médicos para advogados e suspeita de venda de cadáveres do IML. A quebra dos sigilos dependerá, afirma, do comprometimento dos deputados Ricardo Chab (estadual – PTB) e Florisvaldo ‘‘Rosinha’’ Fier (federal – PT) de renunciarem publicamente à imunidade parlamentar.
‘‘Eu os estou processando por calúnia e difamação e quero reparação por danos morais’’, declarou. ‘‘Vamos processar todos, médicos, deputados, meios de comunicação. Os processos serão civil e criminalmente’’, explicou o advogado de Moraes e Silva, Antônio Augusto Figueiredo Basto.
Também estão sendo processados os médicos que denunciaram as supostas irregularidades do IML para o Ministério Público e para a Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa. ‘‘Vamos partir agora para o ataque. Eles terão que provar todas as denúncias que foram feitas’’, declarou Basto.
Moraes e Silva já está sendo processado pelo Ministério Público pela susteita de confecção de pareceres sobre mortes que contradizem os laudos oficiais dos peritos do IML. A ação civil pública por improbidade administrativa com enriquecimento ilícito foi protocolada na 4ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba.
Moraes e Silva confirma a elaboração de pareceres e diz que não feriu a ética do IML. ‘‘Dei minha opinião sobre situações. Não menti ou falsifiquei nada’’, argumenta ele. De 1976 até agora, ele fez 81 pareceres, 32 deles para juízes e 12 para advogados. Entre pareceres realizados por Moraes e Silva estão os de Suzana Marcolino e Daniela Perez.
Denúncias de falsificação de laudos para recebimento de seguro de trânsito e de assédio sexual ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil, Corregedoria da Polícia e Ministério Público. ‘‘Vou responder a tudo tranquilamente. Vou aguentar tudo, se Deus quiser. Conto com o apoio de meus advogados e da minha família’’, completou.
Enquanto Moraes e Silva tenta provar sua inocência, a Procuradoria Geral do Estado estuda a possibilidade de auxiliar as investigações do Ministério Público. Segundo o procurador Joel Coimbra, se houver a suspeita de desvio ou uso irregular dos recursos do Estado, a instituição entrará como autora do processo. ‘‘Fizemos isto no caso da compra das jaquetas coreanas pela Polícia Militar. Poderemos fazer o mesmo com o IML’’, declarou ele, ‘‘a nossa obrigação é zelar para que os recursos do Estado sejam bem aplicados’’.