Diretor do IML afirma que não há sinais de chacina na favela em Foz
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Curitiba 
O diretor do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná, Francisco Moraes e Silva (foto), disse ontem que não foram encontradas marcas de agressões ou de algemas nem indícios de disparo de tiros à curta distância nos corpos dos quatro rapazes mortos durante uma operação policial realizada na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, no último dia 10. Silva e o delegado geral da Polícia Civil, Artur Braga, falaram sobre o caso na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.
A comissão procura esclarecer as denúncias, feitas por testemunhas e familiares das vítimas, de que houve chacina. Um adolescente que acompanhou a ação policial escondido no forro do barraco onde estavam os quatro rapazes disse que as vítimas foram algemadas e executadas. Os policiais afirmam que apenas reagiram a tiros disparados por moradores da favela e que os quatro mortos (dos quais três menores de idade) pertenciam a uma quadrilha de tráfico de drogas.
O diretor do IML disse aos deputados que o laudo da exumação realizada nos cadáveres deverá ser divulgado terça-feira. Mas, segundo ele - que participou pessoalmente da exumação, no dia 23 - é possível adiantar que não houve tortura nem chacina. Não encontramos lesões resultantes de agressões anteriores às mortes nem marcas de algemas, afirmou. Além disso, não foram encontradas lesões de tiros disparados com armas encostadas nem à curta distância - situações que poderiam caracterizar execução.
O delegado Artur Braga também afirmou que os laudos periciais não confirmam as palavras das testemunhas ouvidas pelo Centro de Direitos Humanos de Foz. Braga informou que determinou rigorosa investigação. Segundo ele, a conclusão do inquérito depende do laudo da exumação.


