Diretor depõe em inquérito na
Polícia Federal de Curitiba
Sindicato acusa
diretores de coagir
empregados a desistir
de ações trabalhistas
James Alberti
O diretor de recursos humanos da Telecomunicações do Paraná (Telepar), Amadeu Colombo Cavalcante, e o advogado da empresa, Eros Pontarolli, prestaram depoimento ontem na delegacia da Polícia Federal em Curitiba. Os dois e outros cinco funcionários da Telepar são acusados de pressionar e coagir funcionários a desistir de ações trabalhistas contra a estatal, sob pena de perder o emprego.
A denúncia foi feita pelo sindicato da categoria à Procuradoria Regional do Trabalho, em 1996. A Procuradoria acolheu a representação do sindicato, entrou com ação civil pública e mandou ofício informando o Ministério Público, que determinou abertura de inquérito policial. Hoje e amanhã devem depor os outros acusados: Nelson Polak, Fabiano Brandalise, Ivan Klairton, Deodato Naka e Ozir Maestrelli.
Ontem, durante o depoimento de Cavalcante, o advogado dos acusados, Dálio Zippin Filho, tentou impedir o trabalho do repórter da Folha, que tentava colher informações na sede da Polícia Federal. ‘‘Ele (Cavalcanti) não tem nada a dizer. As declarações ele fará ao delegado’’, afirmou. Nervoso, Zippin Filho disse que Cavalcante estava depondo apenas como testemunha e que não era indiciado em nenhum inquérito.
A afirmação foi desmentida pela delegada Silvanete de Aquino Freitas, responsável pelo processo. Segundo ela, embora nenhum dos diretores da empresa tenha sido indiciado ainda, eles não podem depor como testemunhas porque figuram como acusados na representação e estão passíveis de indiciamento.
A delegada afirmou que ainda não formou opinião sobre se houve ou não crime com base no artigo 344 do Código Penal. Ela disse que recolhe documentos para verificar as acusações. A delegada preferiu não informar as declarações prestadas pelo diretor e pelo advogado da Sanepar, seguindo orientação do delegado regional da PF, Luiz Melzer.
A advogada do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas do Estado do Paraná (Sinttel), Gisele Soares, acredita o processo deve ser concluído em pouco mais de dois meses. Segundo ela, cerca de dez funcionários estão nominados na representação entregue pelo Sinttel à Procuradoria Regional do Trabalho. Oito deles teriam sido demitidos por causa das ações trabalhistas que moviam contra a Telepar, afirmou Carmelita Bentiê, membro da direção do Sintel e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações.

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