Diretores dos hospitais terciários - Hospital Universitário, Santa Casa e Hospital Evangélico - admitiram, durante o debate na Câmara, que a superlotação dos pronto-socorros e dos leitos já se tornaram um problema crônico. Há a necessidade de investimentos nos postos de saúde, hospitais da Zona Sul e Zona Norte, e em cidades da região para ser solucionado. ‘‘Cerca de 30% dos pacientes que atendemos vêm de mais de 200 municípios da região. Atendemos mais de 106 mil pessoas por ano, sendo que perto de 15 mil no pronto-socorro. O caos é diário’’, disse Antonio Carlos Ribeiro, do Hospital Evangélico.
O secretário Agajan Der Bedrossian salientou que o problema da saúde infelizmente não ocorre somente em Londrina, mas é um fenômeno nacional presente em todos os estados. ‘‘E estes problemas não estão presentes apenas nos setores públicos - municipal, estadual e federal -, mas inclusive nos setores filantrópico e privado’’, afirmou, lembrando o fechamento do Hospital Londrina, particular, que funcionou em Cambé (13 km a oeste de Londrina) até o ano passado.
Segundo o secretário, além da centralização do atendimento em Londrina, - que recebe doentes de municípios, estados e até países vizinhos, segundo Agajan -, outro motivo do agravamento da crise é a diminuição do investimento federal no setor da saúde. ‘‘Em 1978, a União entrava com 90% dos recursos gastos em saúde no município. Hoje, a situação se inverteu completamente. Há mais de três anos que os investimentos não são reajustados, apesar da demanda ter aumentado em muito. Em 78, a prefeitura investia apenas 1% da receita anual em saúde. Hoje, investe quase 20%. Boa vontade para resolver a crise, todos temos. O que falta são recursos’’, ressaltou.
O promotor Paulo Tavares concordou com o secretário municipal, e comentou que a estrutura de atendimento da saúde em Londrina não evoluiu conforme as exigências do aumento da demanda. ‘‘Há falta de leitos, o fechamento de hospitais, a falta de equipamentos e médicos nos postos de saúde; e poucos investimentos públicos no setor. Maior exemplo disto é o HU, que há cerca de dez anos reivindica junto ao governo do Estado recursos para uma ampliação extremamente necessária e que ajudaria a aliviar o atendimento dos hospitais na Cidade. Mas seguimos convivendo com o descaso governamental e o caos na saúde.’

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