O filho do prefeito Antonio Belinati (PDT) e diretor financeiro licenciado da Comurb, Antonio Carlos Belinati, não foi indiciado como réu na ação aberta ontem pelo promotor Bruno Galatti. Antonio Carlos é candidato a deputado estadual pelo PSB. ‘‘Apesar de todas as irregularidades em setores ligados e subalternos à diretoria de Antonio Carlos, em nenhum momento ficou provado o envolvimento direto dele nas contratações, empréstimos de funcionários, desvios de funções e outras ilicitudes’’, comenta Galatti.
Segundo o promotor, Antonio Carlos não está envolvido com as irregularidades porque na verdade pouco aparecia na Comurb na época em que elas foram realizadas. O filho do prefeito cursava o 4º ano de Engenharia Civil em período integral e não dava expediente na sede da Comurb. ‘‘Ele apenas assinava os documentos, mas de fato não comandava a diretoria onde ocorreram as irregularidades. Esta questão de ser um diretor ausente é mais ética e moral do que legal. Nenhuma lei exige a frequência no local do trabalho de um diretor em cargo comissionado, como fazem com os demais funcionários públicos’’, explica o promotor.
Em depoimento a Galatti, em dezembro último, Antonio Carlos disse que as contratações foram feitas por solicitação da diretoria de operações e da presidência da Comurb. ‘‘Em nenhum momento tomei conhecimento delas. Só fiquei sabendo dessas possíveis irregularidades pela imprensa’’, comentou naquela época o diretor financeiro. Ontem, Cléber Tóffoli não quis conceder entrevista para comentar a abertura da ação e acusações que pesam contra ele. ‘‘Este assunto deve ser tratado juridicamente. Vou aguardar a intimação e prestar o depoimento’’, diz Tóffoli.
Na Comurb, o diretor Eduardo Alonso não foi localizado porque estava em viagem, e o gerente administrativo João Batista de Almeida não aceitou ser entrevistado. Entre os vereadores, todos se dizem inocentes e tranquilos com a sequência da ação. Ninguém acredita na possibilidade de cassação de mandato e suspensão dos direitos políticos ao final da ação.
O vereador Flávio Vedoato (PTB) preside a Comissão Especial de Investigação da Câmara que apura o envolvimento ilícito de vereadores com as contratações irregulares da Comurb. Ele afirmou no final da tarde de ontem que marcará hoje, para a próxima semana, uma reunião para avaliar o relatório final do promotor Bruno Galatti e tomar outras providências cabíveis. ‘‘Esperávamos o final do inquérito. Agora, vamos analisar os documentos, ouvir outros vereadores e definir os próximos passos da CEI. Queremos saber se houve algo de grave, abrir espaço para as defesas e responsabilizar os culpados.’

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