A direção da Casa de Custódia de Londrina (CCL) confirmou ontem que autorizou a reunião entre os presos de facções rivais da Zona Oeste para fosse firmado um acordo de paz que colocasse um fim aos conflitos que já duravam quase seis anos entre a rua Pantanal e o Jardim Leste-Oeste com o Jardim Nossa Senhora da Paz. O diretor da CCL, major Édison Marcos Tomaz, afirmou que permitiu o encontro porque ''a intenção dos presos era salutar'' e, como esperava, teve resultados positivos.
Tomaz revelou que a reunião aconteceu na última sexta-feira e não no sábado, entre oito presos ''selecionados'', considerados líderes das facções rivais. O encontro teria sido monitorado todo o tempo por seguranças da CCL. ''Eles procuraram a direção e pediram para serem colocados frente a frente para que conversassem e chegassem a um bom termo'', disse o diretor. ''Eles firmaram o pacto, como eles chamam, para acabarem com o conflito e me parece que essa conversa teve um resultado positivo'', completou Tomaz.
O diretor afirmou que, na sua opinião, a reunião e o posterior cessar fogo nos bairros onde estão baseadas as gangues não fortalecem essas facções criminosas. ''No nosso entender não fortalece, porque a intenção deles é salutar. Lógico que eles podem, tanto fora quanto dentro da unidade, reverem esse acordo a qualquer momento. Mas no interior da Casa não vemos com preocupação porque eles continuam separados, como uma precaução contra possíveis conflitos'', analisou. Ele observou que os presos que se sentem ameaçados são remanejados para outros cubículos. Nas comunidades, o acordo continuou valendo ontem e dia foi novamente tranquilo, com grande moviemtnode mulheres e crianças nas ruas.
Sob a condição de anonimato, uma fonte ouvida ontem pela Folha, disse que o objetivo do acordo era trazer paz às comunidades para que a repressão policial das últimas semanas fosse suavizada. Com isso, os ''negócios'' dos criminosos que atuam nessas região teriam sido prejudicados. ''A Polícia acertou em cheio com isso'', comemorou.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, disse que não iria mais fazer comentários sobre o assunto. Em entrevista à Folha na terça-feira, o major Altivir Cieslack, comandante interino do 5º Batalhão da PM, também afirmou que não falaria mais à respeito do acordo. Ele considerou apenas que ''é preciso tomar cuidado quanto à esse tipo de informação (acordo entre presos) para não dar a impressão de que está se formando um tipo de organização criminosa'', alertou.
Organização que fora das cadeias, nos bairros onde as gangues atuam, já existe. Circulando pelos bairros é possível notar a presença de adolescentes que atuam como ''olheiros'' de traficantes em pontos de observação estratégicos. O barulho dos foguetes também anuncia a chegada de carregamentos de drogas.

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