Mauricio Della Barba
De Londrina
A presença – aliada a uma boa argumentação – do diretor-presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, ontem, na Câmara de Vereadores, fez com que o projeto que proibia o corte imediato de água, por falta de pagamento da conta, em Londrina, fosse retirado da pauta de votação.
Freitas foi convidado pelos vereadores para discutir o assunto, mas com a retirada do projeto (feita pelos autores), não chegou a ser ouvido em plenário. ‘‘Ele nos trouxe um grande volume de documentos que contestam a viabilidade do projeto. Resolvemos retirar da pauta para estudar e analisar de forma correta’’, disse o vereador Antônio Ursi (PFL), que defende o projeto com Carlos Kita (PSDB) e Elza Correia (PMDB).
O projeto prevê o corte de água após três meses sem o pagamento da conta. Também estabelecia uma notificação da medida pelos Correios, com aviso de recebimento assinado pelo usuário. O consumidor teria ainda 10 dias para efetuar o pagamento, sendo que os valores seriam acrescidos de multa de 2% e juro de 1% ao ano. A proposta também impede o corte se o consumidor estiver desempregado, incapacitado de trabalhar ou com renda de até dois salários mínimos mensais.
‘‘O projeto afeta diretamente a receita da empresa, uma das nossas principais garantias para a conquista de financiamentos para o andamento e elaboração de projetos no Estado’’, explicou Freitas. O aumento da inadimplência é outra questão levantada por ele. ‘‘Temos menos de 3% de inadimplência em todo o Estado, o que é aceito nos processos de financiamentos. Seguramente, o projeto aumentará esse número e comprometerá nossos negócios futuros’’.
A Sanepar também se apega à existência de uma lei estadual que já contempla os casos de pessoas carentes inadimplentes. ‘‘Caso o consumidor comprove que se encontre desempregado e sem condições de pagar a água, a lei já garante seis meses sem o corte’’, observou. ‘‘Além disso existe também a tarifa social que concede ao usuário carente 60% de desconto’’.

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