Diretor confirma ligação
entre Aguiar e Fredemax
Benê Bianchi
O diretor geral da Câmara de Londrina, José Roque Salton, prestou depoimento ontem no inquérito aberto no 4º Distrito Policial para apurar tentativa de extorsão contra as cooperativas Cativa, de Londrina, e Central Norte, de Apucarana. Ele confirmou que o ex-vereador Jaci Aguiar (PDT) lhe apresentou Fredemax Mota como seu assessor. Mota é um dos acusados da tentativa de extorsão, junto com Aristeu Rodrigues, ex-assessor do vereador Alvair de Souza (PL), e José Rojas Gavilan, ex-assessor do vereador Beto Scaff (PSDB).
Salton disse ao delegado Joaquim Antonio de Melo que o próprio Jaci Aguiar teria lhe informado que Mota viajaria a São Paulo com o motorista da Câmara para levar as amostras de leite para análise. Aguiar era suplente de vereador e ocupou uma cadeira na Câmara até mês passado, quando o titular do mandato, Moysés Leônidas, retornou ao Legislativo. Mas ele afirma que o conhecia apenas por ser um assíduo frequentador da Câmara.
Salton ainda afirmou que Aguiar justificou-lhe a viagem de ‘‘seu assessor’’ por ele conhecer bem São Paulo. Também prestaram depoimento ontem os vereadores Antonio Ursi (PT) e Renato Araújo (PPB). Eles confirmaram ter sido procurados por diretores da Cativa, comunicando que estariam sendo vítimas de tentativa de extorsão por parte de pessoas que se diziam assessores de vereadores.
Araújo também foi questionado sobre as autenticações feitas no escritório de seu cartório, em Londrina, de fotocópias dos laudos do Instituto Adolfo Lutz. Segundo Araújo, as fotocópias foram autenticadas por seu substituto Júlio César Araújo - que também é seu filho. ‘‘Dezenas de pessoas entraram diariamente no escritório. Ele não se lembra quem apresentou as cópias dos laudos, mesmo porque temos que analisar os documentos e não quem os leva’’, comentou Araújo na saída do 4º DP.
Mais três vereadores serão convocados para depor, provavelmente, na segunda-feira: o presidente da Câmara, Adalberto Pereira (PFL), Antônio Ursi (PT) e Alvair de Souza (PL). Além deles, faltam ouvir outras 12 pessoas, incluindo os três acusados.
De acordo com o presidente, Osmar Buzinhani, e diretor comercial da Cativa, Alfredo Carvalho, Mota e Aristeu Rodrigues tentaram extorquir R$ 30 mil da cooperativa para não divulgar laudos do Adolfo Lutz, informando que as amostras de leite tipo C colhidas em 17 de março estavam insatisfatórias por apresentar bactérias do grupo coliforme e coliforme fecal. A coleta havia sido aprovada pelo plenário da Câmara no dia anterior. Da Central Norte, Gavilan e Mota teriam tentado extorquir R$ 50 mil.

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