Diretor confirma falsificações mas se declara vítima
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Foz do Iguaçu 
Em entrevista à Folha, o médico Carlos Henrique Martinez Delgado, diretor do Hospital e Maternidade Iguaçu, admitiu a falsificação dos prontuários no estabelecimento, mas negou que tivesse conhecimento do esquema. Fui vítima desse golpe e só vim a saber disso no dia 30 de outubro, afirmou Delgado.
Segundo ele, as fraudes foram feitas por uma quadrilha na qual estariam envolvidos funcionários do hospital e pessoas que não trabalham no estabelecimento. O objetivo do grupo seria tirar dinheiro da Asserpi. Delgado disse que um ex-funcionário chamado Amélio dos Reis atuou como laranja da quadrilha, falsificando os documentos dentro do hospital.
Foram falsificações grosseiras, feitas sem o conhecimento da direção do hospital. Passaram tinta branca nas guias e escreveram por cima. Segundo Delgado, quando o caso foi descoberto, o funcionário pediu demissão. O nome de Amélio dos Reis não consta na lista de denunciados pelo promotor Renan Gabardo Fava.
Delgado disse também que suspeita do envolvimento da ADM e da própria Asserpi na suposta quadrilha. Eles pelo menos fecharam os olhos. O diretor do hospital afirmou que não recebeu cerca de R$ 60 mil da ADM relativos a serviços prestados.
Procurado pela Folha, o diretor do Hospital e Maternidade Cataratas, Ramon João Correa, disse que não iria se pronunciar sobre o caso. Me reservo o direito de só falar em juízo, declarou. Correa disse também que o promotor havia retirado a denúncia contra a clínica. Fava confirmou que a denúncia está mantida. Não tenho a prerrogativa de retirar uma denúncia já feita e, mesmo que tivesse, não faria isso, respondeu o promotor. (Valmir Denardin)


