Em entrevista à Folha, o médico Carlos Henrique Martinez Delgado, diretor do Hospital e Maternidade Iguaçu, admitiu a falsificação dos prontuários no estabelecimento, mas negou que tivesse conhecimento do esquema. ‘‘Fui vítima desse golpe e só vim a saber disso no dia 30 de outubro’’, afirmou Delgado.
Segundo ele, as fraudes foram feitas por uma ‘‘quadrilha’’ na qual estariam envolvidos funcionários do hospital e pessoas que não trabalham no estabelecimento. O objetivo do grupo seria tirar dinheiro da Asserpi. Delgado disse que um ex-funcionário chamado Amélio dos Reis atuou como ‘‘laranja’’ da quadrilha, falsificando os documentos dentro do hospital.
‘‘Foram falsificações grosseiras, feitas sem o conhecimento da direção do hospital. Passaram tinta branca nas guias e escreveram por cima’’. Segundo Delgado, quando o caso foi descoberto, o funcionário pediu demissão. O nome de Amélio dos Reis não consta na lista de denunciados pelo promotor Renan Gabardo Fava.
Delgado disse também que suspeita do envolvimento da ADM e da própria Asserpi na suposta quadrilha. ‘‘Eles pelo menos fecharam os olhos’’. O diretor do hospital afirmou que não recebeu cerca de R$ 60 mil da ADM relativos a serviços prestados.
Procurado pela Folha, o diretor do Hospital e Maternidade Cataratas, Ramon João Correa, disse que não iria se pronunciar sobre o caso. ‘‘Me reservo o direito de só falar em juízo’’, declarou. Correa disse também que o promotor havia retirado a denúncia contra a clínica. Fava confirmou que a denúncia está mantida. ‘‘Não tenho a prerrogativa de retirar uma denúncia já feita e, mesmo que tivesse, não faria isso’’, respondeu o promotor. (Valmir Denardin)

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