O diretor-presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, disse que a companhia não tem recursos para levar a infra-estrutura até ao Mirante. Ele argumentou que com o dinheiro da venda, a Cohab poderia comprar lotes mais baratos em locais onde já existem asfalto, energia e água encanada por perto. Segundo Silva, se os 30 alqueires do Mirante fossem divididos em lotes de 250 metros quadrados e reservadas as áreas para arruamento, dariam 1.800 terrenos. Tomando-se por base o orçamento estimado pela Construtora KRB, cada dono de lote pagaria cerca de R$ 260,00 pelo asfalto, galerias pluviais e meio-fio, do final da Avenida Saul Elkind até a entrada do loteamento. Entretanto, os custos foram estipulados em cima de uma avaliação prévia, sem um estudo pormenorizado das dimensões da área.

O imobiliarista Abílio Medeiros afirmou que a venda do Mirante do Eldorado agora ''é precipitada, por ser uma região estratégica''. Segundo ele, ''o que é longe hoje, amanhã não será''. Ele estimou que daqui a cerca de quatro anos a cidade já terá se expandido para aquela região, o que reduzirá os custos de infra-estrutura. De acordo com Medeiros, quem comprar o Mirante vai segurá-lo para fazer um loteamento no futuro. Na opinião dele, a venda deveria ser efetuada se a Cohab estivesse precisando levantar recursos.

Os 30 alqueires que serão vendidos, informou o diretor-presidente da Cohab, estão arrendados desde 1998, sem licitação, para o empresário Paulo Muniz, de Londrina. Segundo Afonseca e Silva, somente na atual administração a companhia começou a cobrar pelo arrendamento, cerca de R$ 500,00 mensais. Ele disse que de 98 até o ano passado o arrendatário não pagava nada. Uma fonte consultada pela Folha informou que é de praxe cobrar por arrendamentos cerca de 20% da produção do que é cultivado por alqueire. A taxa que a Cohab está cobrando, de acordo com a fonte, ''é irrisória''. (M.B.)

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