A Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados desembarca hoje em Curitiba para vistoriar as condições do sistema carcerário no Paraná. Os locais são mantidos em sigilo, mas podem se concentrar na Capital. Um dos integrantes da comissão, o deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), disse que a estratégia pretende neutralizar qualquer mobilização do governo do Estado para frustar o trabalho dos parlamentares.
O deputado petista teme ainda que, em caso de revelação, a comissão possa ser barrada na porta das delegacias ou presídios visados. Cadeias do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul já foram inspecionadas. O Paraná completa o roteiro, definido a partir de levantamento da Pastoral Carcerária, organização da Igreja Católica. Os parlamentares vão produzir um relatório para ser apresentado ao Ministro da Justiça, José Gregori. Ele deve exigir melhorias nos sistemas penitenciários dos Estados.
Em Curitiba, os deputados devem comprovar casos de superlotação, alimentação precária e falta de higiene. O agente pastoral Dirleo Sanches relatou que no 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba, cerca de 120 presos estão abrigados num xadrez que comportaria no máximo 20 pessoas. Há problemas de infiltração e a água dos chuveiros é fria. O almoço dos presos se resume a feijão, arroz e uma salsicha.
Nos dois presídios da Região Metropolitana de Curitiba, o arroz com feijão é acompanhado de um ovo. ‘‘Eu não comeria esta marmita’’, afirmou Sanches. Segundo ele, o excesso de detentos é o que mais atrapalha o funcionamento do Presídio do Ahú, em Curitiba, e a Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. Os complexos registraram duas rebeliões nos meses de maio e junho, com saldo de um detento morto e um agente penitenciário paraplégico no motim da PCE. Uma nova penitenciária projetada em Piraquara para reduzir a superlotação nas delegacias de Curitiba, onde se concentram cerca de 400 presos, está com as obras paradas há oito meses.
De acordo com a Pastoral Carcerária, o Ahú tem capacidade para 350 pessoas, mas abriga o dobro. Em Piraquara, o presídio foi projetado para 550 internos e possui 1,5 mil. Dados da Secretaria de Estado da Justiça confirmam que os presos mantidos em regime fechado enfrentam defasagens de vagas. Em sete unidades espalhadas pela região de Curitiba, Londrina e Maringá, estão 3.094 presos que cumprem pena em regime fechado. O sistema abriga um excedente de 427 presidiários.

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