A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 50 anos hoje como uma bela utopia. A opinião é de 50 entidades que expõem hoje, na Boca Maldita, em Curitiba, ‘‘provas’’ de que a declaração não saiu do papel. O documento é considerado fundamental para garantir cidadania aos homens, mas é desrespeitado por completo.
Em barracas de lona, as entidades pretendem mostrar textos e fotos publicados pela imprensa, nos quais são reveladas torturas contra presos, fome, discriminação racial e sexual, desemprego, miséria, violência no campo e na cidade.
‘‘A Declaração é bonita, mas na prática não é respeitada’’, disse ontem o advogado Dálio Zippin Filho, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Para ele, houve avanços nos direitos políticos e civis, mas os direitos sociais não foram obtidos.
Segundo Zippin, a tortura é prática comum em delegacias e presídios. ‘‘Cerca de 80% dos meus clientes fazem relatos de agressões policiais’’, afirmou o advogado, que trabalha exclusivamente com direito criminal. ‘‘Os choques, os afogamentos e o pau-de-arara fazem parte do dia-a-dia’’, disse.
É a violência social, porém, o desafio da sociedade para o terceiro milênio, conforme o advogado. Para ele, a pouca preocupação dos governos com a fome e o desemprego atingem de forma mais grave os direitos humanos que a tortura ou as guerras.
Zippin considerou uma agressão aos direitos humanos os cortes promovidos pelo governos estadual e federal nas áreas sociais. ‘‘Outros setores poderiam ter recursos cortados. Os cortes sociais atingem os direitos humanos. Existem 30% de desempregados e 50% de analfabetos (no País)’’, disse.
Integrante da coordenação do Fórum Paranaense de Direitos Humanos e Cidadania, Márcia do Rocio Santos também critica o modelo econômico. Para ela, ‘‘a lógica de mercado e competição é contraditória à defesa dos direitos humanos’’.
Criado em outubro deste ano, o Fórum engloba cerca de 50 entidades que buscam aglutinar forças e encaminhar propostas aos governos para defender os preceitos da Declaração Universal.
Escolas municipais comemoram os 50 anos da Declaração com palestra às 9 horas, no auditório da Federação Espírita, no Centro. Já a Associação Interconfessional de Educação faz um manifestação, também as 9 horas, na Praça Nossa Senhora Salete, no Centro Cívico.

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