Curitiba - O diretor do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA), Paulo Pedron, acusa o Ministério Público (MP) especialmente o de Londrina de omissão e conivência com as agressões que envolvem policiais militares. Ele cita o caso de Raphael Bezerra da Silva, 20 anos, que morreu baleado por PMs em novembro do ano passado em Londrina e que teve a agressão caracterizada pelo MP como lesão corporal e não como homicídio.
''Os crimes continuam acontecendo exatamente porque não existe rigor nas punições. A Justiça e o Ministério Público (MP) promovem a injustiça. Tenho anotado casos horríveis e que ainda não posso divulgar em Londrina, porque não tenho permissão. Se o MP fosse mais atuante, a Justiça condenasse, os policiais militares não cometeriam tantos atos de violência. Os bandidos que se travestem de policiais precisam ser punidos como bandidos. O lugar deles é a cadeia, a reclusão'', ponderou Pedron. ''As pessoas estão assustadas com o nível de fragilidade das estruturas estatais'', completou.
O promotor da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, Leonir Batisti, afirmou que todos os casos precisam ser analisados com cuidado para evitar injustiça. ''Não é razoável dizer que a agressão policial não corresponde eventualmente a uma conduta válida. Não dá para dizer que sempre o policial está errado. Cada caso precisa ser analisado'', salientou o promotor. Entretanto, ele ponderou que que tem recebido poucas denúncias. As razões seriam diversas: desde a falta de conhecimento de que existem estruturas públicas que investigam e que podem punir os policiais violentos, até a falta de tempo por conta do trabalho.
''Quem é vítima desse tipo de violência geralmente é a pessoa mais humilde e essas pessoas têm dificuldades de se relacionar com o aparato estatal. E isso nos inclui'', disse o promotor. Ele não quis polemizar, mas comentou que todas as denúncias que são encaminhadas à PIC são investigadas. ''Evidente que não temos como controlar tudo o que acontece. Mas já temos verificado que os policiais estão se antecipando às queixas. Muitas vezes, eles lavram termos de resistência, desacato, para justificar a agressão'', afirmou.
Batisti disse ainda que já observou muitas ações equivocadas da polícia e orientou para que sejam promovidos cursos e palestras com os policiais militares para evitar casos de violência e agressões. A escolha do major Marcos de Castro Palma para assumir o 5º BPM de Londrina teria sido exatamente neste sentido, para melhorar o conhecimento e os cursos internos da corporação. Palma era instrutor da Academia Policial Militar do Guatupê e um dos mais conceituados na aplicação do dever militar.(L.P.)

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