Marcos BorgesCobrançaComandante Burille, Trigueiros e Elza Correia: busca de informações sobre andamento do inquérito O Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o envolvimento de PMs na morte do pastor José Idalécio Bueno será concluído no dia 25. A informação foi dada ontem pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille. O andamento do IPM foi questionado ontem por Elza Correia, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores; Roger Striker Trigueiros, do Centro de Direitos Humanos; e Luiz Figueira de Mello, do Comitê Pró-Cidadania, em reunião com o comandante.
A data está dentro do prazo legal de 40 dias para a conclusão do IPM. Segundo o comandante, o prazo começa a correr a partir do recebimento dos documentos pelo Batalhão, diferente da Polícia Civil, que tem 30 dias para concluir um inquérito, contados a partir do fato. O pastor morreu no dia 9 de março, em Ibiporã, dentro de uma viatura policial, depois de desentendimento no trânsito com PMs. O inquérito policial civil, realizado pelo delegado Edmo Ermenegildo, da 10ª Subdivisão Policial, concluiu que houve lesões corporais na vítima. Dez policiais militares estariam envolvidos no caso. O principal acusado das agressões é o sargento Levi Teófilo.
Burille afirmou que aguarda o recebimento do inquérito para tomar providências e fazer prestação de contas. Ele ressaltou que a ação do Batalhão se restringe à parte administrativa. O IPM, que está sendo elaborado pelo tenente Serra, será enviado ao comando geral da PM em Curitiba. ‘‘Eles decidirão se, no caso de os policiais terem cometido crime, encaminham o caso para a Justiça Militar ou Comum’’, disse.
O comandante comentou ainda que, no laudo recebido, as lesões provocadas pelos policiais não foram a causa da morte. ‘‘A princípio, o pastor foi preso por desacato, reagiu e por isso acabou morrendo. Os policiais não esperavam isso’’, defendeu o comandante. ‘‘Se ele tivesse se deixado prender como outro qualquer, isso não teria ocorrido.’’
‘‘Na nossa opinião, esses policiais deveriam estar recolhidos’’, disse a vereadora Elza Correia. O comandante informou que eles foram afastados da parte operacional, mas continuam desenvolvendo atividades administrativas no Batalhão. ‘‘Como não houve flagrante, a lei e o regimento da PM não permitem que eles sejam privados do direito de ir e vir’’, explicou Burille. Segundo o comandante, os policiais foram transferidos para serviços internos para ‘‘evitar que se envolvam em outros casos e assim deixem de ser réus primários’’.
Durante a reunião o grupo também entregou uma carta ao comandante reivindicando providências imediatas para garantir a segurança da população e melhor qualidade de vida aos policiais. A carta propõe que a PM cuide da estrutura da coorporação e providencie acompanhamento psicológico aos policiais, quando necessário, como forma de prevenção. A carta também será enviada ao governador Jaime Lerner e ao secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira.

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