DIREITOS HUMANOS - Alunos da UEL ganham prêmio internacional
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
O Dicionário Houaiss diz que ''aplicar o espírito, a memória e a inteligência para aprender'' é a definição para o verbo estudar. Um grupo de alunos do curso de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) levou ao pé da letra tal definição e agora colhe os bons frutos de horas e horas dedicadas ao estudo dos direitos humanos no âmbito internacional.
A primeira vitória dos acadêmicos londrinenses foi a participação, no mês de maio, da competição de julgamento do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, realizado pela faculdade Washington College of Law da American University. O simulado reuniu estudantes de 63 países pertencentes à Organização dos Estados Americanos (OEA) e também de outras nações, como Nigéria, Bélgica e Índia.
A notícia da segunda vitória veio nas últimas semanas. O grupo da UEL ficou com o primeiro lugar entre as instituições de língua portuguesa, cinco no total, todas brasileiras. Na classificação geral, outra boa notícia: os pés-vermelhos conquistaram a 9 colocação. No simulado, os estudantes da UEL precisaram fazer a defesa do Estado em um caso hipotético de uma professora universitária, indiciada como suspeita de participar de um grupo terrorista, que sofre tortura na cadeia e é absolvida no julgamento.
Contudo, o que mais chama a atenção em toda essa história é a iniciativa dos universitários. Conforme faz questão de ressaltar a professora Helena Aranda Barroso, coordenadora do curso de especialização em Direito Internacional e Econômico da UEL, foram os estudantes que ''fizeram o agito'' e colocaram a universidade londrinense como a única representante do Sul do Brasil na competição. ''Eles têm muito interesse em estudar. Conquistar o prêmio é mera consequência'', destaca a docente.
A idéia de participar da competição chegou a Londrina nas malas de Fernanda Santana, aluna do quinto ano de Direito da UEL, que fez um estágio de dois meses na terra do Tio Sam, mais especificamente na Comissão Interamericana de Desenvolvimento Humano. ''Lá, fiquei sabendo dessa oportunidade. Quando cheguei, comuniquei aos colegas e aos professores e todos toparam o desafio'', conta Fernanda.
Porém, nem todos os 40 estudantes que demonstraram o desejo inicial de participar do grupo de estudos seguiram até o final dessa empreitada que exigiu a renúncia das férias e de outros momentos de lazer. No fim das contas, restaram 15 alunos trabalhando no projeto vencedor.
Reunido para contar sobre a vitoriosa experiência à FOLHA, o grupo dá demonstrações de bom entrosamento e descontração. No entanto, o papo fica sério quando o assunto é a carreira relacionada aos Direitos Humanos e Internacional. ''Todo país que tem altos índices de violência vê os direitos humanos de forma deturpada e preconceituosa. Na verdade, não se trata de 'direito dos presos', como muitos dizem, mas é um instrumento de ajuda, do qual todos os seres humanos são titulares. A divulgação disso tudo possibilita às pessoas o conhecimento do que podem reinvidicar'', explica a estudante Érika Maeoka.
Em relação ao Direito no âmbito internacional, os acadêmicos ressaltam que, apesar de ser uma área pouco difundida, trata-se de um campo de trabalho em crescimento. ''É uma carreira bastante promissora, principalmente em organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA). Há também o terceiro setor, que está crescendo'', finaliza a professora Márcia Teshima.


