''Direito e Cinema'' na Magistratura
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terça-feira, 07 de outubro de 2008
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Quando falamos em aulas de Direito, logo nos vem a cabeça milhares de leis, códigos e processos para memorizar. Quem é da área sabe que o aprendizado vai muito além. Ainda assim, muitas instituições de ensino baseiam sua metodologia no discurso direcionado, quando o professor fala e os alunos somente escutam.
Não há uma preocupação na reflexão crítica das questões sociais. Muito se fala da universalização do conhecimento, no entanto, a maioria ainda se concentra apenas no ensino tradicional, diz o juiz e professor da Escola de Magistratura Núcleo Londrina, José Ricardo Alvarez Viana, que acaba de lançar o projeto Direito e Cinema na instituição. A escola oferece cursos preparatórios para concursos e cursos de especialização lato sensu.
O juiz diz que o projeto não é idéia dele, mas que não tem conhecimento de alguma iniciativa parecida na cidade. Para ele, o principal objetivo do projeto é fugir do estilo tradicional de ensino e despertar um visão mais humanística, envolvendo o Direito de uma forma mais próxima da realidade. Direito e Cinema, implantado recentemente na escola, traz uma sessão de cinema com debate sobre o tema logo após sua exibição. Nos debates, além dos alunos e professores da escola, contamos com a presença de juízes da cidade, comentou. Atualmente, a escola tem cerca de 70 alunos.
Acredito que seja importante contextualizar as diretrizes do Direito, até por que ele rege todas as circunstâncias da vida em sociedade. O tema do filme dá início para uma série de discussões, acrescenta. Segundo Viana, os debates vão abordar ainda questões jurídicas, éticas, sociais e até religiosas. Vamos avaliar também questões estratégicas usadas, como oratória e retórica.
Para o juiz, o projeto é uma ótima oportunidade para a troca de informações. Se o aluno assiste ao filme sozinho, pode não atentar para alguns detalhes. Além disso, as perguntas e a discussão que acontece favorecem a participação democrática e também a uma reflexão mais profunda. Por enquanto, o projeto não faz parte da grade curricular, sendo apenas uma opção de extensão. Pretendemos, futuramente, transformá-lo em projeto de pesquisa abordando a temática de filmes, lembrou.
O projeto ainda não é aberto à comunidade, mas segundo o juiz conforme a adesão e repercussão, pretendemos prosseguir com exibições mensais num local maior e aberto a outros segmentos acadêmicos. O primeiro filme exibido foi Amistad, do diretor Steven Spielberg, que trata do racismo e a independência do juiz.


