Quando falamos em aulas de Direito, logo nos vem a cabeça milhares de leis, códigos e processos para memorizar. Quem é da área sabe que o aprendizado vai muito além. Ainda assim, muitas instituições de ensino baseiam sua metodologia no discurso direcionado, quando o professor fala e os alunos somente escutam.
  ‘‘Não há uma preocupação na reflexão crítica das questões sociais. Muito se fala da universalização do conhecimento, no entanto, a maioria ainda se concentra apenas no ensino tradicional’’, diz o juiz e professor da Escola de Magistratura – Núcleo Londrina, José Ricardo Alvarez Viana, que acaba de lançar o projeto ‘Direito e Cinema’ na instituição. A escola oferece cursos preparatórios para concursos e cursos de especialização lato sensu.
  O juiz diz que o projeto não é idéia dele, mas que não tem conhecimento de alguma iniciativa parecida na cidade. Para ele, o principal objetivo do projeto é fugir do estilo tradicional de ensino e despertar um visão mais humanística, envolvendo o Direito de uma forma mais próxima da realidade. ‘‘Direito e Cinema, implantado recentemente na escola, traz uma sessão de cinema com debate sobre o tema logo após sua exibição. Nos debates, além dos alunos e professores da escola, contamos com a presença de juízes da cidade’’, comentou. Atualmente, a escola tem cerca de 70 alunos.
  ‘‘Acredito que seja importante contextualizar as diretrizes do Direito, até por que ele rege todas as circunstâncias da vida em sociedade. O tema do filme dá início para uma série de discussões’’, acrescenta. Segundo Viana, os debates vão abordar ainda questões jurídicas, éticas, sociais e até religiosas. ‘‘Vamos avaliar também questões estratégicas usadas, como oratória e retórica.’’
  Para o juiz, o projeto é uma ótima oportunidade para a troca de informações. ‘‘Se o aluno assiste ao filme sozinho, pode não atentar para alguns detalhes. Além disso, as perguntas e a discussão que acontece favorecem a participação democrática e também a uma reflexão mais profunda.’’ Por enquanto, o projeto não faz parte da grade curricular, sendo apenas uma opção de extensão. ‘‘Pretendemos, futuramente, transformá-lo em projeto de pesquisa abordando a temática de filmes’’, lembrou.
  O projeto ainda não é aberto à comunidade, mas segundo o juiz ‘‘conforme a adesão e repercussão, pretendemos prosseguir com exibições mensais num local maior e aberto a outros segmentos acadêmicos.’’ O primeiro filme exibido foi Amistad, do diretor Steven Spielberg, que trata do racismo e a independência do juiz.

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