Direção perigosa: sob o domínio do álcool
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
De casa até o bar do pai do amigo é coisa rápida. No caminho, uma cervejinha para descontrair e começar o final de semana.
- Pai, mais tarde vou precisar do carro para a festa de aniversário daquela gata que eu te falei, beleza? E depois da festa tem uma balada que todo mundo vai?
- Tudo bem filhão!''
O diálogo é fictício mas essa história já foi vivenciada por muitas famílias que não viram seus filhos voltarem para casa depois de uma noite de festas. Antes que estacionassem o carro na garagem, se envolveram em acidentes de trânsito provocados por imprudência e desatenção ao volante. Descuidos esses causados pela mistura álcool e direção.
Notícias de ocorrências no trânsito envolvendo motoristas embriagados são comuns. No mês de julho, dois registros chamaram a atenção: um pelas diversas mortes provocadas e outro pelo ''milagre'' de todas as vítimas terem se salvado (leia box). O comandante da Companhia de Trânsito da PM em Londrina, tenente Paulo Siloto, reafirma que é crime dirigir embriagado e, além das sanções administrativas, o condutor pode ser punido criminalmente.
Para o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), o motorista é considerado embriagado quando apresentar mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue (alcoolemia), correspondente a duas latas de cerveja, em média, verificados por exemplo nos exames com bafômetro realizado pela Polícia de Trânsito.
O condutor sob efeito de álcool ou qualquer outro entorpecente é punido com uma infração de caráter gravíssimo, perde sete pontos e ainda tem de pagar multa no valor de R$ 957,70. Administrativamente, ele tem sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recolhida, o veículo é retido e tem suspenso temporariamente seu direito de dirigir.
Mesmo assim, as punições parecem não intimidar muitos motoristas pois, segundo estatísticas divulgadas pelos Centros de Formação de Condutores, mais de 50% dos acidentes de trânsito no País envolvem alguém alcoolizado. ''Os acidentes são constantes e nos finais de semana ocorrem com mais frequência'', atesta Siloto.
O uso de álcool entra como um dos principais agentes causadores de acidentes graves e gravíssimos, aponta a diretora de ensino da LondTran, Suely Marlene Teodoro Rodrigues. Acostumada a lidar cada dia mais com condutores jovens em busca da primeira habilitação, ela diz que os ''alunos'' demonstram preocupação e consciência do que significa estar ao volante durante as aulas. Mas depois... ''Quando estão entre amigos, na balada, perdem o medo e acreditam que nada vai acontecer com eles se beberem algumas doses a mais ou se abusarem um pouco mais da velocidade'', alerta a especialista em formação.
Suely reconhece a importância das punições estabelecidas pelo CBT contra quem é flagrado bêbado ao volante, mas avalia que são insuficientes, principalmente porque a lei não é fiscalizada. No geral, continua, falta preocupação não só das instâncias oficiais mas também das famílias. ''Muitos pais não conhecem a rotina dos filhos, os seus amigos. São muito abertos, se deixam levar e só tomam consciência da gravidade disso quando acontece alguma coisa'', comenta.
Especialista em psicologia do trânsito, Carlos Roberto de Souza argumenta que o problema do alcoolismo no trânsito no Brasil é muito mais uma questão cultural do que de falta de aplicação das leis. ''Temos uma cultura do beber e a pessoa já sai de casa com o intuito de beber'', argumenta.
Para Souza, a redução dos casos de acidentes provocados por pessoas alcoolizadas passa pela educação e pela mudanças de valores culturais. ''Jovens não começam bebendo muito. Começam bebendo pouco mas compulsivamente por causa das muitas festas e baladas. O indivíduo que bebe e dirige está tentando o suicídio, mas não tem consciência disso'', finaliza.


