Direção defensiva e empatia
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Antoniele Luciano<br> Reportagem Local 
Do bom dia no embarque à descida do último passageiro no ponto final, o trabalho de motoristas do transporte coletivo de Londrina é permeado por riscos no trânsito e conflitos com usuários. Para orientar a categoria, o Sistema Nacional de Aprendizagem no Transporte (Sest/Senat) promoveu ontem um treinamento, em parceria com a Companhia Municipal de Trânsito de Urbanização (CMTU). A capacitação, que ocorreu em dois turnos e envolveu 340 profissionais, entre condutores e cobradores da TCGL, LondriSul e TIL, integrou a programação da Semana Nacional de Trânsito. Hoje, o centro da cidade terá parte das vias bloqueadas como mobilização pelo Dia Mundial Sem Carro.
A psicopedagoga Regiane Gabriel, instrutora do Sest/Senat, explica que reclamações recebidas pelo setor motivaram o treinamento. Entre as queixas dos usuários, estão a falta de maleabilidade com pessoas com dificuldades de locomoção e excesso de velocidade na condução dos veículos, que agora têm faixa exclusiva também na Avenida Tiradentes. "O curso é voltado à direção defensiva, ao atendimento eficaz e técnicas para lidar com conflitos com usuários. Estes conflitos são bastante comuns. Acontecem diariamente, seja porque o motorista não conseguiu parar a tempo no ponto solicitado ou até mesmo porque houve atraso na linha", disse Regiane.
Ela salienta que é preciso que os profissionais do transporte coletivo tenham "respeito, paciência e empatia pelos usuários, os clientes das empresas para as quais trabalham". "Se formos pensar em pessoas que dirigem outros veículos, os motoristas de ônibus são os mais capacitados. Precisam pensar diferente, ser educados, porque eles são os profissionais", enfatizou a instrutora, ao dar dicas sobre como prestar um atendimento melhor. "Seja cortês, evite termos técnicos, gírias ou expressões que criem uma falsa intimidade com o usuário, dê tempo para que ele explique o que quer e admita falhas, caso cometa alguma", orientou.
O risco no trânsito também pautou as discussões com a categoria. Regiane expôs estatísticas sobre morte no trânsito como forma de alertar para a importância da direção defensiva no serviço. Segundo dados da Seguradora Líder, somente de janeiro a junho deste ano foram 22.395 mortes decorrentes de acidentes no País. No ano passado, no mesmo período, foram 25.185 óbitos. "As pessoas falam em tragédia e pensam em tsunami, mas e o trânsito no Brasil? São mortes anuais, todos os anos é a mesma coisa. Só ficamos alarmados quando envolve nossa família", pontuou.
Os motoristas admitiram dificuldades no dia a dia, como, por exemplo, reclamações de atraso e carros e utilitários que, mesmo proibidos de usar as faixas exclusivas, tentam disputar espaço com os coletivos. "O pessoal não respeita os corredores para ônibus e isso nos atrapalha, principalmente em horário de rush. Querendo ou não, temos que reduzir a velocidade, não conseguimos desenvolver", comentou o motorista Odilon Ferreira Filho, de 45 anos. O colega de profissão Demárcio Maciel Goes, de 44, assinala, por sua vez, que nem todos os usuários entendem a função deles. Em alguns casos, os motoristas têm que dirigir e fazer o papel de cobradores. "Acionam a parada somente na hora de descer ou querem que paremos fora dos pontos", relatou.
A CMTU bloqueia hoje, das 7h às 18h, as alamedas Miguel Blasi, Manoel Ribas e as travessas Padre Eugênio Herter e Padre Bernardo Greis, no entorno da Catedral, a fim de desenvolver atividades do Dia Mundial Sem Carro. De acordo com a companhia, a região com trânsito bloqueado deve receber neste período ações educativas. Na Praça da Bandeira, sete food trucks e mais uma bike food vão participar do Especial Food Truck na área. "Vamos vender pizza, hambúrguer, cupcake, pastel, carolinas, temaki. Esperamos um bom movimento, já que é uma oportunidade para que as pessoas vejam o centro da cidade de outra maneira", observa a proprietária de um dos food trucks envolvidos, Angélica Dubuc Moriya.
Conforme a CMTU, a linha Centro Livre, gratuita, estará circulando na região. Também ficou combinado com donos de estacionamento, gerentes de hotéis e síndicos que mensalistas e moradores daquela área receberiam um adesivo identificando seus veículos para acesso às ruas bloqueadas. A maior parte dos adesivos foi entregue.


