Direção de parque investiga ataques de peixes em lago
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sexta-feira, 02 de março de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
Um misterioso peixe vem atacando banhistas que frequentam o reservatório da Usina Mourão, a 10 quilômetros de Campo Mourão. Os ataques apareceram com maior intensidade durante o final de semana prolongado nas proximidades da Associação dos Servidores Municipais. Pelo menos cinco pessoas foram feridas pelo peixe não identificado.
O digitador Renato Pereira, 19 anos, foi uma das vítimas. Ele teve o pé esquerdo mordido quando brincava na água com um grupo de amigos na associação dos servidores. Senti algo batendo no meu pé duas vezes, conta Renato. Pensei que fosse alguma pedra, mas na terceira vez senti a mordida, saí rápido da água e vi que meu pé estava sangrando.
No pé de Renato ainda estão os sinais do ataque do peixe. São pequenos cortes e alguns arranhões. Pelo que eu senti, o peixe era grande, diz o digitador. Terça-feira, um dia depois do ataque a Renato, foi a vez do peixe deixar arranhada a perna esquerda do menino Carlos Henrique Vicuate, de 7 anos. Doeu muito, conta Carlos Henrique.
No menino, o ataque não chegou a cortar, mas fez um arranhão vertical bem maior do que em Renato. Carlos Henrique estava numa área cercada da associação dos servidores, com profundidade não superior a 60 centímetros, quando sentiu a perna tremer com alguma coisa raspando. O pai dele, Divonzir Viocuate, estava junto e descarta que tenha sido uma pedra.
O caseiro da associação, Joaquim Farias, conta que os casos de ataques de peixes a banhistas começaram há dois anos, mas eram raros até este Carnaval. O gerente do Parque Estadual Lago Azul, Rubens Lei Pereira, disse ontem que a principal suspeita é que os ataques sejam de traíras. A traíra procura águas rasas para a desova e demarca territórios, explicou.
Ele vai enviar fotos das mordidas do peixe para o Centro de Piscicultura do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Toledo para tentar identificar a espécie agressora. As traíras existentes no Lago Azul têm cerca de dois quilos e até 60 centímetros de comprimento, característica que bate com a descrição feita por uma banhista que chegou a ver um peixe após o ataque. De acordo com Pereira, o piau e a piapara também podem atacar banhistas, mas provocariam ferimentos menores do que os já registrados.


