Os diretores da organização não-governamental (ong) Associação Londrinense de Assistência (Aliança), que administrava o asilo Ebenézer, interditado em fevereiro, devem entrar hoje pela manhã com ação conjunta no Fórum de Londrina contra o Estado do Paraná e contra o Município. Segundo a advogada Nidia Kosienazuk Santos, serão requisitados R$ 250 mil de cada um dos nomeados como indenização por danos morais.
Na argumentação contra o Estado, a advogada defende que o Ministério Público (MP) não teria ''mantido palavra'' sobre um prazo de 90 dias para a ong adequar o asilo, localizado no Jardim Itapoá (Zona Sul), e uma assistente da promotoria teria feito declarações ''ofensivas'' na imprensa contra o presidente da Aliança, pastor Clóves José de Pinho, e a vice-presidente, Vera Pinho.
Já o pedido de indenização contra o Município se baseia nas argumentações de que os repasses da prefeitura à instituição foram suspensos, o que teria causado transtornos, e de que representantes da Secretaria Municipal do Idoso teriam apresentado ''interesse em dar publicidade ao caso''. Quando foi interditado, o asilo abrigava pouco mais de 30 idosos.
No final de 2003, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) apontou que a instituição teria número insuficiente de profissionais de enfermagem e a Vigilância Sanitária indicou que seriam necessárias alterações na estrutura do prédio, como impermeabilização das paredes e instalação de barras para apoio, e mudanças nas tubulações e nos pisos. Foi dado um prazo de 30 dias para que tal reforma fosse feita.
Segundo Pinho, a diretoria da Aliança teria defendido que seria impossível fazer as mudanças dentro de um mês. O presidente da ong afirma que procurou o promotor de Defesa do Idoso, Tiago de Oliveira Gerardi, e este teria recomendado que fosse requisitada a prorrogação do prazo. ''Ele sugeriu que pedíssemos 90 dias para fazer a reforma e afirmou que não tinha interesse em representar pelo fechamento do asilo. Apresentamos a requisição de mais prazo. Dez dias depois, o próprio promotor pediu a interdição'', afirma Pinho. A reabertura do asilo ficou condicionada à realização da reforma e às adequações na equipe de enfermagem.
Segundo o presidente da Aliança, a ONG não teve condições de fazer as mudanças por falta de dinheiro: a Secretaria do Idoso suspendeu os repasses e não havia efetuado os pagamentos de janeiro e fevereiro deste ano. Já as mudanças na equipe de enfermagem teriam sido realizadas antes do asilo ser interditado.
Os diretores pleitearam cerca de R$ 50 mil junto à prefeitura, através de um encaminhamento da Câmara de Vereadores, para pagar as reformas, mas o dinheiro não foi liberado. ''Tanto o Estado, por meio do MP, quanto o Município demonstraram muita vontade na hora de apontar os problemas, mas na hora de ajudar a solucioná-los, não nos ajudaram'', diz o presidente da ong.

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