Diploma para médicos com 'ficha exemplar'
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quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Renê Muller<bR>Reportagem Local 
Com um olhar firme e determinado, de quem ainda tem muito o que realizar pela frente, o médico José Luis Pascual Pascual, 79 anos, festeja amanhã um feito. No Dia do Médico, o imigrante espanhol, estabelecido há 46 anos em Londrina, recebe o diploma de mérito ético-profissional em Curitiba. A honraria é concedida pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM) a 18 profissionais que completaram 50 anos de trabalho exemplar. E não receberam qualquer sanção ética.
O início da história do médico confunde-se com o atual panorama da medicina nas maiores cidades. Ao deixar a Madrid natal, Pascual também largou os tempos áridos do ditador Franco. O país tentava se reerguer. Mas a capital tinha mais de 8 mil médicos, um mercado de poucas oportunidades.
O Brasil apareceu na vida do patologista clínico através do colega Ibanes de Carvalho, que fazia doutorado no Instituto Ramon de Cajal. Carvalho fez a ponte para que Pascual chegasse ao Brasil, junto com amigo José Lorenzo Isquierdo. No entanto, soubesse ele da burocracia que encontraria pela frente, pensaria duas vezes antes de se arriscar pelo chão vermelho da então juvenil Londrina.
O doutor mostra com orgulho o surrado diploma de Medicina. O documento
carrega nas costas dezenas de carimbos, necessários à época para exercer a profissão por aqui. Teve que ir a Recife, na Faculdade de Medicina da Universidade local, prestar exame para ser reconhecido em solo brasileiro. Teve quem o chamasse de teimoso por ter insistido. Hoje, ele tem um laboratório e continua trabalhando.
Tanto esforço teve recompensa em Londrina. Chegou ao município em 1956, depois de passagens breves por São Paulo e Belo Horizonte. Com o médico José Antônio de Queiroz, iniciou atividades na Santa Casa e na Casa de Saúde São Leopoldo. Na época, a última tinha o único banco de sangue da região. ''Comecei a ganhar meus cinco mil cruzeiros'', afirma, com memória prodigiosa.
Foi um dos fundadores do laboratório clínico do Hospital Evangélico. E investiu no seu próprio espaço. Casou, teve filhos, e hoje não larga a cidade por nada. ''Para ser perfeita, só falta o mar'', brinca.
É esse profissional que o CRM homenageia amanhã, levando em consideração que, ao envolver a defesa da vida, a Medicina é uma das atividades mais questinadas e cobradas quanto à qualidade. Doutor Pascual diz que não há segredo em passar toda uma vida trabalhando sem receber qualquer reclamação de pacientes. ''Tem que ser honesto e correto e lembrar que é obrigação cumprir o Código de Ética Médica'', receita aos jovens que ingressam na profissão.


