Um demonstrativo de arrecadação do Fundo Especial de Reequipamento Policial (Funrespol) dos anos de 1995 a 1999 revela que mais de 73% das verbas que deveriam ter sido destinadas para a compra de equipamentos para a Polícia Civil ficaram retidas na Secretaria da Fazenda e destinadas para outros setores.
Foram arrecadados R$ 22,5 milhões nos últimos cinco anos. Desse total, R$ 16,4 milhões foram para o Tesouro Estadual. Neste ano, o demonstrativo aponta para uma arrecadação de R$ 1,6 milhão. Por enquanto, não houve repasse desses recursos.
A taxa de segurança para o Funrespol foi criada pela Lei 7.257 de 30 de novembro de 1979. O fundo é formado por um conselho composto por todos os delegados divisionais, o delegado-geral, representante da Secretaria da Fazenda, um delegado que secretaria o fundo – atualmente é Clóvis Galvão – e o secretário da Segurança.
A falta de recursos para o Funrespol tem deixado na gaveta muitos dos projetos encaminhados. O sistema tem previsto um total de R$ 13,9 milhões em investimentos para projetos diversos, como o de informatização da Polícia Civil (R$ 3,05 milhões), criação de um Sistema Troncalizado de Rádio Comunicação (R$ 3,9 milhões), compra de pistolas e carros para o Centro de Operações Policiais Especiais (R$ 506 mil), linhas telefônicas e materiais para investigações do Grupo Fera (R$ 198 mil).
O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis, Luis Bordenowski, disse que tem buscado formas legais para garantir o repasse dos recursos do Funrespol. ‘‘Todo o dinheiro está sendo sonegado. Ele vai direto para a Secretaria da Fazenda. Ele está sendo desviado para outros setores’’, denuncia ele. Bordenowski acredita que nada adianta o Estado investir apenas no aparelhamento da Polícia Militar. ‘‘Não adianta apenas prevenir, temos que prender e garantir que o marginal seja processado.’’
A Folha entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda por dois dias, mas não conseguiu retorno. Apenas foi informada que a dívida do Estado com o Funrespol já foi quitada e que existe uma lei aprovada no final do ano passado na Assembléia Legislativa e que garante a destinação de recursos do Funrespol para outras pastas. ‘‘Eles fizeram um arresto e canalizaram o dinheiro para tapar outros rombos do governo do Estado’’, declarou Bordenowski.

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