Dinheiro falso no mercado é um problema antigo. Depois da estabilidade do real e do surgimento de tecnologias como o scaner e as impressoras a laser, a falsificação virou um problema crônico. No ano passado, as polícias militar, civil e federal e o Banco Central (BC) apreenderam mais de R$ 8,8 milhões em dinheiro falso, cerca de 175 mil notas, principalmente de R$ 50 e R$ 10. Em Londrina, apesar da Polícia Federal (PF) ter desmontado uma quadrilha de falsários há pouco mais de um mês, o volume de notas falsas continua grande no comércio.
Supermercados, padarias e lanchonetes, que têm grande circulação de dinheiro e pessoas, são os setores que sentem mais o problema. ''Aparece demais, dá até a impressão que tem uma fábrica de dinheiro aqui perto'', brincou Sueli Gomes Gouveia, gerente de uma padaria no Jardim Santa Mônica (Zona Norte). Segundo ela, quase todo dia aparece dinheiro falso no caixa da padaria. Para evitar prejuízos, ela passou a cuidar do troco. ''Chegamos a pegar uma ou duas, depois disso comecei a orientar o pessoal e até colei uma nota falsa na parede para facilitar a identificação'', reforçou.
Dono de uma lanchonete na região central, Odair Marcos Zanoni, concorda que o volume de notas falsas aumentou. ''Desde o início do ano cresceu a inadimplência e também as notas falsas, aparecem mais ou menos uma ou duas por dia'', afirmou.
Depois de ser enganado algumas vezes, ele também redobrou a atenção. ''O pior é o constrangimento do cliente, que também pegou a nota em algum lugar e não está fazendo nada na maldade'', comentou. Com o comércio treinado, quem geralmente arca com o prejuízo é o consumidor comum, menos preparado para detectar as diferenças entre o dinheiro falso e o verdadeiro.
A própria PF admite que não é difícil aceitar uma nota falsa. ''Logo que são impressas, elas são muito parecidas com as notas verdadeiras'', afirmou o delegado da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos. Segundo ele, mesmo as falsificações mais grosseiras, com base em notas verdadeiras scaneadas e impressas a laser em papel comum, podem enganar. ''Depois de um ou dois dias circulando fica mais fácil perceber'', falou.
Contudo, uma boa observação pode evitar prejuízos. ''Por melhor que seja a falsificação, a nota nunca é igual a uma verdadeira'', reforçou. Verificações simples em pontos específicos das notas, como nas marcas d' água (ver quadro nesta página) ajudam. Outra dica do delegado é comparar: ''Mantenha sempre uma nota na carteira e compare com as que recebeu'', orientou. Se a dúvida persistir, uma boa saída é molhar uma pequena parte da nota e passar a mão; se soltar tinta ou borrar, é falsa.
O delegado discorda dos comerciantes com relação ao volume de notas falsas em Londrina. ''Essas devem ser as notas que ficaram em circulação após a queda da quadrilha'', afirmou, referindo-se à prisão de dois falsários no início do mês passado, com 350 cédulas falsas.
Contudo, com o início da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, no dia 7, a PF acredita que o número de notas falsas possa aumentar. ''É uma época ideal para derramar dinheiro falso, com muito movimento no comércio e na cidade. É bom os comerciantes redobrarem a atenção''.

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