Curitiba - Maringá, abril de 2008. Cerca de 30 pessoas são presas por tráfico de drogas, em um negócio que se alastrava por Santos, Campinas e São Paulo. Nove eram mulheres, entre elas uma grávida. Curitiba, março deste ano. Sete pessoas são presas com três mil comprimidos de ecstasy, três mil papelotes de LSD, mais haxixe e cocaína, em um esquema de tráfico internacional que abastecia o mercado da Capital. Duas mulheres envolvidas. Abril. Três mulheres são presas em Umuarama com 61 quilos de maconha.
Manchetes do noticiário policial revelam um dado confirmado pela polícia: é cada vez maior o número de mulheres envolvidas com tráfico de drogas no Paraná. A Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) estima que das prisões efetuadas por tráfico no Estado cerca de 30% sejam mulheres. Das 41 mulheres presas no 9º Distrito Policial de Curitiba, que só detém mulheres, 30 são por tráfico de entorpecentes. Já no Centro de Triagem I, onde mulheres ficam encarceradas antes de serem enviadas ao sistema penitenciária, 65,5% das 95 presas são por tráfico.
Antes um mercado dominado apenas por homens, de três anos para cá as mulheres passaram a se envolver mais com esse tipo de crime. A maioria passou de simples esposa de traficante, apenas conhecedora do crime mas sem envolvimento, para assumir cargos cada vez mais complexos no esquema do tráfico. Agora compram, vendem, ganham dinheiro e até chefiam quadrilhas. ''De cada 10 pessoas presas pelo Denarc, três são mulheres. Antes, isso não acontecia'', afirma o delegado Cassiano Aufiero, da Divisão de Narcóticos.
A explicação para o crescimento é simples e por isso mesmo assustadora. ''Elas estão se inserindo no mercado de trabalho e fazendo coisas que só os homens faziam. Também é assim no tráfico: acompanha a evolução da mulher na sociedade'', diz Aufiero. ''Hoje, o número de mulheres traficando está cada vez mais próximo dos homens. Entram pelo negócio'', confirma Omar Peplow, superintendente do 9º DP.
Entre março de 2003 e junho deste ano, 3.036 mulheres foram presas por tráfico no Paraná, segundo dados do site do serviço de 181 de Narcodenúncias. No mesmo período, 15.216 homens foram presos. A polícia tem outras explicações para a invasão de mulheres ao ambiente típicamente masculino: o dinheiro fácil do tráfico.
O primeiro contato geralmente é por meio do marido ou namorado. ''Se for comparar, a maioria das mulheres presas por tráfico na 9º DP também tem namorado ou marido presos. Elas acabam entrando nesse mundo depois que a prisão deles acontece. Quando precisam sustentar a casa, assumem o negócio, pois já conhecem o fornecedor, sabem que são os clientes. Então é mais fácil'', explica Peplow.
Uma vez envolvida e vendo o dinheiro fácil entrar, mulheres acabam por não sair mais. A partir disso, o delegado Cassiano Aufiero traça os perfis mais comuns das envolvidas. Segundo ele, o primeiro tipo é aquela mulher que enxerga no tráfico uma forma de ganhar dinheiro sem esforço. Os traficantes acabam por colocar essas mulheres para vender pois levantam menos suspeita. ''Hoje, não podemos deixar de desconfiar de ninguém, o que torna nosso trabalho mais difícil'', diz o delegado do Denarc.
Um segundo perfil está nas mulheres que acabam caindo no crime por causa dos parceiros, que as introduzem no tráfico. Um terceiro perfil identificado pelo delegado e, segundo ele, ainda é raro: o das mulheres ''empreendedoras'', que começam o próprio negócio e acabam chefiando quadrilhas.
Na hora de traficar, porém, Aufiero diz que homens e mulheres agem igual. ''As mulheres resolveram entrar para o mundo do tráfico. E não entraram para perder. Só no momento da prisão que elas tentam se favorecer do fato de serem mulheres.''

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