Dinheiro desperdiçado
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Muros pichados, vidros e lâmpadas quebrados, cabos rompidos são apenas alguns exemplos de vandalismo que podem ser observados em qualquer lugar. Pouco mais de um mês após a instalação dos novos equipamentos da Zona Azul em Londrina, vários já foram pichados. A Praça da Juventude da Zona Sul precisou ser fechada poucos dias após a inauguração até que guardas municipais estivessem presentes, também devido à ação de vândalos. O que muitos não percebem é que o dinheiro usado para consertar ou repor o que foi quebrado sai dos cofres públicos, ou seja, do bolso de todos que pagam impostos e poderia ser investido em prol da comunidade.
Na Escola Estadual Albino Feijó Sanches, no Parque das Indústrias (zona sul), há cerca de dois anos a direção resolveu aproveitar as férias para fazer diversos reparos, como pintura das paredes, troca de cortinas e vidros, limpeza e reparo das carteiras, entre outros. Na volta às aulas, além do ambiente renovado, os alunos encontraram colado na parede das salas o valor gasto em cada uma delas.
"Gastamos aproximadamente R$ 300 por sala, dependendo da necessidade de cada uma. Como são 21 no total, o custo ficou em torno de R$ 6,3 mil. Explicamos aos alunos que poderíamos ter gasto esse valor com material pedagógico, dicionários, materiais esportivos e até com mesas de pingue-pongue, para eles se divertirem nos intervalos", conta o diretor Marcos Waldemir Buche.
Ele explica que, paralelo à reforma, os professores também desenvolveram trabalhos para conscientizar os alunos sobre a importância de preservar o patrimônio público. "Também buscamos fazer a manutenção constante. O menor rabisco já é limpo ou pintado, pois acreditamos que quando os alunos veem um local agradável, se esforçam mais para mantê-lo assim", explica Buche.
As iniciativas vêm apresentando resultado, mesmo que ainda sejam necessários alguns cuidados. Jéssica Sabrina Doarte, de 17 anos e aluna do 4º semestre do curso de técnico em Meio Ambiente, conta que sua turma preparou um mural com tampinhas de garrafa pet, reproduzindo um quadro do artista brasileiro Romero Brito. "No início, sempre alguém ia lá e arrancava algumas tampinhas, foi preciso isolar a área. Mas quando o desenho começou a tomar forma, não mexeram mais."
Ela diz se lembrar do episódio da grande reforma, embora não saiba mais qual o valor gasto em sua sala. "Acho que quando as pessoas veem tudo arrumado, conservam mais. Antes tinha mais rabiscos nas paredes, o que quase não acontece agora", conta.
Jonathan Alves, de 14, aluno do 1º ano do Ensino Médio, afirma que antes não tinha como estudar direito, tamanha era a sujeira nas paredes e carteiras, causadas pelos alunos. "Participei de um mutirão de limpeza, conseguimos arrumar quatro salas e agora quando vejo alguém rabiscando logo chamo a atenção. Se estiver tudo limpo, vão pensar duas vezes para sujar."
Recapear 15 quadras
Em Paranavaí (Noroeste), foi feito um levantamento dos custos anuais com o vandalismo. "Apuramos que cerca de R$ 500 mil são usados para consertar ou substituir equipamentos, objetos ou prédios públicos depredados. São vidros quebrados, torneiras furtadas, pias destruídas, paredes pichadas. Só na educação são cerca de R$ 100 mil por ano gastos para consertar as escolas", afirma o secretário de Comunicação, Jorge Roberto Pereira da Silva.
Nem obras recém-inauguradas são poupadas. Segundo o secretário, o Ginásio de Esportes Emílio Garrastazu Médici, conhecido como Noroestão, foi inaugurado em uma sexta-feira e na segunda já tinha sido pichado. "Cerca de 15 dias depois, as pias e espelhos foram destruídos", lamenta.
Ele conta que cada secretaria também calculou o que poderia ter sido feito com o dinheiro. "Seria suficiente para pavimentar 10 quadras por ano ou recapear 15 quadras ou, ainda, construir um posto de saúde (UBS) por ano. No final de uma gestão (quatro anos), seriam 40 quadras asfaltadas ou 60 recapeadas ou, ainda, quatro novos postos de saúde."
"As pessoas não entendem que o dinheiro público não vem do nada e sim do bolso de cada um. Infelizmente ainda não tivemos efeitos práticos, as pessoas comentaram nas ruas, mas os vândalos não deram muita importância, porque continuamos com problemas. Além dos recursos usados para consertar os danos, também gastamos para tentar coibir, como o monitoramento com câmeras. Agora vamos implantar a Guarda Municipal, que deve ajudar nessa prevenção", espera Silva.
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