Curitiba - Para quem está internado em hospitais, a presença da família é fundamental e quase nunca o horário de visita é suficiente para matar a saudade. O afastamento dos familiares em um momento de fragilidade emocional e carência afetiva muitas vezes atrapalha a recuperação dos pacientes.
A profissional de Recursos Humanos, Vanessa Aparecida de Morais Yan, 30 anos, conviveu com a ausência da família durante o tratamento de um linfoma, descoberto há dois anos. A maior saudade que sentia era da filha de 5 anos, impedida de entrar no hospital por conta da idade.
Ainda que internada na mesma cidade da família, Vanessa só conseguiu diminuir a distância ao participar do projeto ''Visita Virtual'', realizado há três meses pelo Hospital Erasto Gaertner. O problema foi resolvido com um notebook, internet sem fio, uma webcam e um microfone. ''Facilita muito o contato com os parentes, a dor é diminuída'', conta Vanessa, que recebeu alta recentemente. Ela pretende dar continuidade de seu tratamento no mesmo hospital devido ao programa.
Idealizado a partir de iniciativas já desenvolvidas em hospitais do Rio de Janeiro, o Visita Virtual tem o objetivo de estender o contato com parentes além do horário marcado para visitas. O hospital disponibiliza um notebook com webcam e microfone para os pacientes impossibilitados de se locomover pelo local e outros sete computadores em pontos fixos do prédio. A rede de internet sem fio também é disponível para os usuários que tenham equipamento próprio.
O acesso aos equipamentos é realizado a partir de um agendamento e o período definido para a utilização é de uma hora, que pode ser estendido quando não há outros pacientes agendados.
Desde o início do projeto, 15 pacientes já utilizaram os computadores. O idealizador da proposta e gerente de informática do hospital, Wandré Dall Agnol, afirma que a maioria da demanda é de jovens, que ficaram muito animados com a iniciativa. ''A recepção mais alegre foi deles, que se comunicam com os amigos e colegas de escola e não ficam presos no quarto'', afirma.
Claudiane destaca a importância do paciente dar continuidade aos hábitos regulares de vida mesmo durante o tratamento. Ela também ressalta que doenças como o câncer são intimamente ligadas à imunidade das pessoas, que melhora quando há o apoio emocional constante da família. ''Este é mais um recurso para a humanização. A pessoa fica mais fortalecida emocionalmente e influi diretamente na recuperação'', afirma.

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