Diminuindo as distâncias
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 2009
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Para quem passa por um tratamento de saúde internado em hospitais, a presença da família é fundamental e quase nunca os 90 minutos do horário de visita são suficientes para matar a saudade. O afastamento dos familiares em um momento de fragilidade emocional e carência afetiva muitas vezes atrapalha a recuperação dos pacientes.
A profissional de Recursos Humanos de uma empresa de Curitiba, Vanessa Aparecida de Morais Yan, 30 anos, conviveu com a ausência da família durante o tratamento de um linfoma, descoberto há dois anos. A maior saudade que sentia era da filha de 5 anos, impedida de entrar no hospital por conta da idade. "Por mais que a equipe do hospital seja excelente, a família faz muita falta. O emocional pega demais, é um momento muito crítico o do tratamento", afirma.
Ainda que internada na mesma cidade onde mora o restante da família, Vanessa só conseguiu diminuir a distância quando começou a participar do projeto "Visita Virtual", realizado há três meses pelo Hospital Erasto Gaertner. O problema foi resolvido com um notebook, internet sem fio, uma webcam e um microfone.
Idealizado a partir de iniciativas já desenvolvidas em hospitais do Rio de Janeiro, o "Visita Virtual" tem o objetivo de estender o contato com parentes além do horário marcado para visitas. O hospital disponibiliza um notebook com webcam e microfone para os pacientes impossibilitados de se locomover pelo local e outros sete computadores em pontos fixos do prédio. A rede de internet sem fio também é disponível para os usuários que tenham equipamento próprio.
Todos os pacientes podem utilizar os computadores a partir de autorização médica -devem ser avaliadas as condições clínicas de cada usuário. "Os critérios não são rígidos. O paciente tem que estar emocionalmente tranquilo para se corresponder com a família e amigos e também ter condições de ficar sentado por um tempo", explica a coordenadora geral do hospital, Claudiane Ligia Minari.
O acesso aos equipamentos é realizado a partir de um agendamento e o período definido para a utilização é de uma hora, que pode ser estendido quando não há outros pacientes agendados. Os usuários passam por uma rápida capacitação sobre as funções do computador e depois de utilizado, todo o equipamento passa por um processo de limpeza, para posteriormente ser entregue a outro paciente.


