O número de pessoas adultas que vivem nas ruas de Londrina está 60% menor que no ano passado. A informação foi divulgada ontem pela secretária municipal de Ação Social, Marisa Gottel Nascimento, em entrevista coletiva sobre os resultados da ‘‘Operação Noite Fria 98’’. No programa do ano passado, a equipe atendeu 180 pessoas que estavam nas ruas. Realizada de 1º de junho a 31 de agosto deste ano, o número de atendidos caiu para 72, sendo que 25 deles são do grupo de jovens de 18 a 20 anos de idade que ficam na ‘‘seringueira’’ (centro).
A secretária atribuiu a redução de pessoas na rua ao trabalho efetuado durante todo o ano pelo programa ‘‘População de Rua’’. A equipe buscou restabelecer os vínculos familiares destas pessoas, ajudando-as a retornar ao local de origem. Só durante a Operação Noite Fria, 17 pessoas receberam passagens para outras localidades. Marisa Goettel esclareceu que, mesmo quem pedia para encontrar um parente ou dizia ter trabalho na colheita em outro município, só recebia a passagem depois que a equipe checava a informação. ‘‘Nosso objetivo é o de garantir que estas pessoas iriam ser recebidas e não ficariam perdidas como aqui’’, frisou. As 47 pessoas que continuam vivendo nas ruas da cidade, diz, são de Londrina ou estão na cidade há vários anos.
Este ano os atendimentos foram feitos nos locais onde a população de rua costuma se concentrar. Das 72 pessoas atendidas durante a operação, 11 foram encaminhadas para atendimento médico em hospitais; 21 para atendimento psiquiátrico; duas foram encaminhadas para asilos e 18 receberam atendimento médico no Centro de Saúde José Belinati (Centro).
Foram servidos 5.935 pratos de sopa, doados 300 passes urbanos e cerca de 180 agasalhos, cobertores e acolchoados. As instituições que atendem migrantes e itinerantes também receberam reforço em alimentos e material.
Uma das propostas para o ano que vem é reduzir o período da Operação Noite Fria, que é hoje de 90 dias. A equipe argumenta que o período de frio intenso é pequeno e não demanda três meses de trabalho.
Apesar da redução da população de rua na cidade, Marisa Goettel afirma que o problema continua existindo e precisando de uma abordagem séria. A secretária argumenta que o maior obstáculo para a recuperação destas pessoas é a própria família. ‘‘Na maioria das vezes a família não quer mais saber da pessoa porque a enxerga como um problema insolúvel’’, diz.
Das 72 pessoas atendidas durante a Operação Noite Fria, a equipe conseguiu que apenas sete retornassem à família. A história da maioria destas pessoas, diz a secretária, tem como pano de fundo um desequilíbrio emocional ou psicológico, resultado de problemas na família.

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