Diminui índice de acidentes de trabalho
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quarta-feira, 16 de setembro de 1998
Áureo Nogueira 
A região de Londrina é a que apresenta o menor índice proporcional de acidentes do trabalho no Paraná, considerando a população e as atividades econômicas. O levantamento foi feito pelo Centro de Epidemiologia do Paraná (Cepi), da Secretaria Estadual de Saúde.
Segundo o Cepi, houve 13.940 notificações de acidentes de trabalho em todo o Estado no ano passado. Na região de Londrina, foram registrados 436 casos, contra 8.135 em Curitiba, 1.417 em Maringá, 1.203 em Cascavel, 206 em Ponta Grossa e 201 em Foz do Iguaçu.
Nos casos de morte por acidente de trabalho, Londrina também apresenta índices significativos. Em 97 não ocorreu nenhum caso na região. Em Curitiba, foram 36 óbitos. Para se ter um parâmetro para o índice, Cascavel registrou 3 casos, Guarapuava 4, Colombo 3, Campo Largo, Quatro Barras e Sengés 2, cada uma, São José dos Pinhais 1 e até localidades menores, como Telêmaco Borba, Colorado, Cândido de Abreu e Candói apresentaram uma morte cada uma.
O setor econômico que apresentou o maior índice de casos, tanto de acidentes de trabalho quanto de mortes, foi o da construção civil. Ainda segundo o Centro de Epidemiologia do Paraná, o setor foi responsável por 1.599 acidentes, com 19 mortes. Isso representa 11,5% dos acidentes e 32,3% dos óbitos. O segundo lugar em acidentes ficou com os estabelecimentos hospitalares, com 1.075 casos, ou 7,7%. Já em número de mortes, o segundo lugar ficou com o setor de transportes de carga, com três casos. Houve, ainda, nove notificações indefinidas e seis em branco.
Também na indústria da construção civil, Londrina apresenta números invejáveis se comparado com outras regiões do Estado com destaque no setor. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Londrina e Região, Denilson Pestana, desde 95 não ocorre nenhum acidente de trabalho com morte na cidade. Neste ano, ocorreram duas mortes casos. Mas que merecem uma explicação, destaca o sindicalista. Ele acrescenta que um deles, o operário foi atropelado quando retornava do trabalho para casa. O outro, foi de um empresário da construção que visitou o canteiro de uma obra e, não usando equipamento de segurança, sofreu um acidente e acabou morrendo.
Pestana atribui a redução dos índices de morte por acidente de trabalho ao esforço do sindicato (com a colaboração de entidades, como o próprio sindicato patronal) para conscientizar os operários da necessidade de usar os equipamentos de segurança e para exigir das empresas o cumprimento da legislação.
Estamos colhendo os frutos do que começamos a plantar há 10 anos, diz Pestana. A entidade, diz ele, definiu a questão da saúde e segurança do trabalho como prioridade. Depois de registrar 97 acidentes fatais entre 86 e 88, o Sindicato decidiu atacar de frente o problema, implantando uma política de ação sindical, organizativa e institucional, destaca Pestana.


