O roubo de caminhões vem diminuindo na região Oeste do Paraná; o de cargas praticamente inexiste. Ao mesmo tempo a BR-277, principal corredor de exportações e importações, é utilizada por número cada vez menor de caminhões que movimentam produtos do Paraguai e contêineres que levam mercadorias para o comércio de Ciudad de Leste. A situação é motivada diretamente pela ‘‘influência paraguaia’’, segundo Ademir Alberto Furhmann, diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Cascavel.
O diretor do sindicato tem uma explicação. Segundo ele, quadrilhas que agiam na região levavam produtos de roubo e assalto para o Paraguai, usando como pontos de travessia o Lago de Itaipu e o Rio Paraná, principalmente na região de Guaíra. Elas geralmente entravam no Mato Grosso do Sul (MS), no município de Mundo Novo, para atravessar a fronteira seca entre este estado e o Paraguai. Já há alguns meses, a Polícia Rodoviária do MS aumentou a vigilância diuturna nas rodovias fronteiriças, afastando as quadrilhas.
Também a inauguração da Ponte Airton Sena, no início do ano, entre Guaíra e Mundo Novo, limitou a possibilidade de travessia clandestina do Rio Paraná, porque o tráfego é concentrado. Antes, inúmeras balsas atravessavam o rio ao mesmo tempo, dificultando a fiscalização. Já a passagem de carros roubados pela Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad de Leste, é mais arriscada, por causa da forte presença de agentes policiais na aduana brasileira. ‘‘A consequência disto tudo é menos roubo por aqui’’, comenta Ademir Alberto Furhmann.
Além disto, a maioria das cargas endereçadas a centros industriais do estado ou ao Porto de Paranaguá ‘‘não interessa às quadrilhas’’, porque são principalmente de soja - um caminhão transporta cerca de 450 sacas, que valem pouco mais de R$ 5 mil. Por isso, e pela baixa remuneração ao frete, as empresas transportadoras não se interessam por serviço particular de segurança nas rodovias. Furhmann explica que, em média, o frete entre Cascavel e Paranaguá é de R$ 540,00; os gastos com combustível, pedágio e motorista são de R$ 420,00, ‘‘e sobra quase nada’’.
A redução do roubo de cargas e caminhões na BR-277, no Oeste paranaense, também é estimulada pelo número cada vez menor de contêineres que embarcam em Paranaguá mercadorias para o Paraguai, e, no sentido inverso, de caminhões que exportam as cerca de um milhão de toneladas anuais do Paraguai, que não tem porto. A explicação está na diferença entre custos portuários, entre Paranaguá, e portos da Argentina, como Buenos Aires ou Mar del Plata, que vão se firmando como a rota definitiva para aqueles transportes.

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