Apesar das altas taxas de desemprego do País, o Estado está enfrentando dificuldades para contratar médicos para atuar no pronto-socorro do Hospital da Zona Norte (HZN), que deverá entrar em fevereiro com falta de profissionais em um terço do período de atendimento de emergência. O salário defasado e a falta de estrutura de encaminhamento são apontados pela diretoria como fatores dificultadores da contratação.
Dois clínicos-gerais e um pediatra deveriam atuar em cada plantão de 12 ou seis horas. Com a escassez de profissionais, o hospital tem períodos com apenas um ou sem médico para atendimento de emergência. Para o próximo mês, dez períodos de 87 horas estão sem clínico-geral previsto. Outros 21 têm só um profissional na escala, em vez do número ideal de dois.
A situação só não é mais precária devido à atuação dos pediatras. Nos casos de necessidade, os especialistas cumprem a função de atendimento no pronto-socorro. A ausência de pediatras, no entanto, é ainda mais comum. ''Os moradores estão 'acostumados' à falta de pediatras. Não é novidade'', afirmou o diretor-clínico do HZN, Márcio Alexandre Próspero.
A principal dificuldade de contratação é a falta de estrutura de resolutividade capacidade do hospital de encaminhar ou prestar o atendimento adequado a cada caso. Apesar de ser hospital de complexidade média, o HZN recebe procura espontânea de pacientes graves. A falta de estrutura no local e a pressão de familiares deixa os médicos em situação difícil. ''Alguns profissionais não aceitam fazer plantão sozinhos. A pressão muitas vezes chega a ser agressiva'', declarou.
Em janeiro, os médicos receberam aumento de R$ 19 para R$ 25 por hora de plantão o equivalente a 24%. Porém, o valor é inferior ao de hospitais de maior porte, como a Santa Casa e o Hospital Universitário (HU). ''Não está muito fora do valor de mercado para hospitais de médio porte'', avaliou Gilberto Martin, chefe da 17Regional de Saúde. O Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), órgão responsável pela contratação dos médicos, tem até publicado anúncios para tentar mais contratações.
Para Próspero, nem mesmo o aumento salarial é suficiente para atrair mais profissionais. ''O ideal seria agilizar o encaminhamento e melhorar a capacidade de resolutividade'', opinou. A diretoria vai promover uma reunião ainda esta semana para explicar a situação a representantes de conselhos locais de saúde da região.
De acordo com Martin, os hospitais de média complexidade ''vivem uma contradição.'' ''Por um lado, há uma grande demanda regional de atendimentos que seriam para as unidade básicas de saúde, o que sobrecarrega o pronto-socorro. Por outro, os casos mais graves são uma demanda normal de entrada de porta de pronto-socorro'', constatou. ''O problema é que Londrina tem hoje um volume de atendimentos e internações maior que a capacidade de oferta''.

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