Dificuldades foram superadas com persistência
O pioneiro Carlos Augusto Almeida, 78 anos, relembra com facilidade fatos históricos e nomes dos colonizadores. Ele chegou na Água do Cerne em 1927. Tinha então 9 anos e ajudou a derrubar a mata durante cinco anos para plantar café. Encontramos até vestígios de índios que passaram por aqui, conta.
A comunidade se dividia em dois núcleos: a parte de cima e a de baixo da estrada. A parte alta foi colonizada por famílias de José Pedro Fernandes, Francisco Alves, Anísio Alves, Aniceto Martins, José Manuel Almeida, Manuel Antônio Almeida, Manuel Caetano, José Loução, Antônio Loução e Joaquim Valente. Na parte baixa moravam Abílio Silva, José Manuel Rodrigues, João Manuel Fernandes, José Gabriel, Luiz Noronha, João Pires, José Pedro Fernandes, uma família italiana e outra japonesa.
Por causa das condições da área, Carlos Augusto afirma que sua família passou por duas grandes dificuldades. Em 1929, choveu de dezembro a março, deixando a comunidade sem comunicação. Depois, em 1932, com a Revolução Constitucionalista. Ficamos cercados por soldados de São Paulo e sulistas. A cidade mais próxima era Paraguaçu Paulista (SP), mas ficamos sem qualquer contato. Deus estava com a gente e não deixou vir doenças graves, relembra.
A comunidade foi constituída em torno da primeira igreja, a de São Sebastião, na parte baixa da Água do Cerne. Hoje, há um movimento para construir uma capela no local, onde estão guardados algumas imagens de santos. Depois, a igreja foi transferida para uma área mais próxima da estrada, onde foi erguida a igreja de Nossa Senhora de Fátima, palco de reuniões e encontros.
Atualidade As pequenas e médias propriedades foram perdendo espaço para fazendas maiores. Muitas das propriedades ainda pertencem aos herdeiros dos colonizadores, mas sem as características originais. O café, que movimentou por muitos anos o bairro, é mantido em pequenas plantações, dividindo espaço com soja e trigo. As pastagens cobrem boa parte da região, juntamente com a suinocultura. Com as mudanças, o número de habitantes caiu drasticamente. Nas décadas de 40 e 50, a Água do Cerne chegou a registrar mais de dois mil habitantes. Hoje não chega a 500.





