Dificuldades de trabalho da PF serão relatadas em carta
Dimitri do Valle
De Curitiba
Agentes da Polícia Federal do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul realizam desde a noite de quarta-feira, em Curitiba, a quarta edição do encontro sul brasileiro da categoria. Os policiais preparam uma carta que será apresentada no Encontro Nacional da PF em Belo Horizonte (MG), no final de novembro. O documento relatará as más condições de trabalho e soluções que possam amenizar estas dificuldades.
O orçamento da Polícia Federal não subiu nem 3% em relação ao ano passado, mas a criminalidade continua aumentando, diz o agente da PF em Curitiba, Arthur Rodrigues de Almeida. Só no Estado, a defasagem de agentes chega a cerca de 200%, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Naziazeno Florentino Júnior. O efetivo atual é de 450 policiais. Segundo Florentino Júnior, o ideal seria um contingente de 1,5 mil agentes para investigar o narcotráfico, crimes de sonegação fiscal e contra a Previdência.
O presidente do sindicato cita que cidades como Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel e Umuarama, teriam que dispor de uma delegacia da PF pelo crescente número de crimes que a PF poderia apurar nestes municípios. Só que não há qualquer investimento na polícia e nem existe verba para o deslocamento de uma equipe para investigar casos em outras cidades, lamenta. Para o agente Arthur Rodrigues de Almeida, a política do governo federal para a corporação está equivocada. Ao invés de investir, só ficam criando órgãos e dando dinheiro para os militares fazerem cursos no exterior, afirma.
O secretário de Estado da Segurança Pública e Justiça do Rio Grande do Sul, José Paulo Bisol, abriu o ciclo de palestras do encontro na manhã de ontem, no Hotel Bourbon. Bisol defendeu mudanças sobre o método de investigação brasileira realizado através dos inquéritos policiais. De acordo com o secretário, apenas o Brasil e mais dois países africanos seguem o modelo. Em outros países, a investigação da polícia é mais rápida porque o acusado é conduzido imediatamente a presença do juiz para ser interrogado.





