De acordo com os nefrologistas do Hospital Pequeno Príncipe, as limitações para a realização de transplantes de rim começam com a dificuldade de os médicos diagnosticarem os distúrbios miccionais.
Em geral a má-formação da bexiga e as infecções urinárias não diagnosticadas a tempo ou confundidas com problemas emocionais podem desenvolver uma lesão renal só contornada com o transplante.
A menina Cleviane Carneiro, de 11 anos, é uma das felizardas da unidade de nefrologista do Hospital Pequeno Príncipe. Há 40 dias ela ganhou um novo rim e não precisa mais fazer as hemodiálises que tanto maltratam as crianças.
Duas vezes por semana Cleviane vai ao hospital fazer uma consulta e exames de acompanhamento. Ela raramente tira a máscara e conta direitinho sobre a sua doença.
‘‘Agora já estou boa, mas eu vinha fazer diálise todas as semanas. Eu sempre ficava doente e só fiz até a quarta série. Este ano não estou estudando mas ano que vem vou voltar para a escola’’, fala animada.
‘‘Cleviane nasceu com bexiga neurogênica, um distúrbio miccional que comprometeu o funcionamento da bexiga. Como o problema não foi acompanhado por pediatra ou nefrologista, as infeccções urinárias ficaram muito frequentes, agravando o problema’’, conta Rejane.
A menina diz que o pai é segurança e a mãe, dona-de-casa. Ela é muito desinibida e fala tranquilamente sobre tudo que passou. ‘‘O importante é proporcionar uma qualidade de vida que chegue próxima à normalidade’’, espera a pediatra.
Quem ainda espera pela mesma sorte é o menino Ariovaldo das Neves, de 15 anos. Ele vai três vezes por semana ao hospital Pequeno Príncipe se submeter a uma diálise. ‘‘Acho que vou fazer o transplante logo, mas não sei quando.’’

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