Dificuldade para obter
medicação agrava quadro
Cesar AugustoA infectologista Dayse de Pauli encaminha doentes à promotoriaA dificuldade de se conseguir a liberação do medicamento Interferon Alfa para o tratamento da hepatite por vírus B, junto à Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), agravou o quadro do portador do vírus M.A.M.A, londrinense de 24 anos, que viu seu diagnóstico passar de hepatite crônica resistente para a cronicidade ativa, de mãos atadas.
Sem dinheiro para comprar o Interferon Alfa, M.A.M.A peregrinou por unidades de saúde, Regional de Saúde e Hospital das Clínicas (HC) de Londrina sem conseguir a liberação do remédio desde 1994, quando descobriu que tinha o vírus.
O preço mensal do tratamento com Interferon varia de R$ 800 a R$ 1,2 mil, dependendo da quantidade de unidades necessárias. ‘‘Meu salário é de cerca de R$ 700’’, revelou o paciente, que já chegou a consultar um advogado a fim de entrar com ação na justiça. ‘‘Mas ele também cobrava caro’’, afirmou. Com a liberação da Lamivudina neste ano para o tratamento da hepatite B, ele pensou em retomar o tratamento. ‘‘Infelizmente, agora o HC está fechado para novas consultas’’.
Outros portadores do vírus vivem dramas semelhantes, segundo a infectologista Dayse de Pauli. ‘‘Eu procuro encaminhar os doentes à promotoria’’, afirmou. Vários pacientes da médica estão tendo que comprar o medicamento.‘‘Tem gente que pede ajuda da família, outros são bancados pelas empresas onde trabalham e muitos simplesmente desistem do tratamento’’.
Dayse de Pauli lembra que, quando a hepatite por vírus B ou C evolui, o custo destes pacientes fica muito alto para a Saúde Pública. ‘‘Seria mais barato liberar o medicamento’’, ponderou. (C.L)

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