Dificuldade financeira ronda pais das vítimas
Dificuldade financeira
ronda pais das vítimas
Além de perderem seus filhos na suposta operação da Polícia Civil, Maria de Lourdes de Oliveira, 44 anos, Marlene Terezinha de Matos, 53 anos, e Mirta Mongelos, 41 anos, amargam hoje o agravamento das dificuldades financeiras que passaram durante toda a vida.
Maria de Lourdes, mãe de Eli, morto aos 19 anos, há quase dois anos sustenta os dois netos que foram praticamente abandonados pela mãe. Zeladora, com um salário mensal de R$ 230,00, Maria de Lourdes não pode contar com o apoio do marido, o vigia desempregado Alcides de Oliveira, 48 anos.
Oliveira era empregado de um hotel, que o demitiu poucos meses depois da morte do filho. Depois da chacina parece que eles perderam a confiança em mim, acharam que eu era bandido, conta o desempregado, que faz bicos para ajudar nas despesas. Na minha idade é difícil conseguir outro emprego decente, lamenta.
Mesmo casado, Eli, que consertava brinquedos em uma loja de Ciudad del Este (município paraguaio vizinho de Foz do Iguaçu), ajudava nas despesas dos pais. O casal já entrou com uma ação de indenização contra o Estado. Se eles forem condenados (os policiais) a chance da gente aumenta, aposta a zeladora.
O casal Luis Carlos Gomes de Lima, 46 anos, e Marlene Terezinha de Matos, pais de Adenilson Dias de Matos, morto aos 17 anos, viu despencar os seus ganhos em 60%.
Eles viviam em uma pequena chácara nas imediações da favela. Criavam vacas leiteiras, porcos e galinhas. Lima, vigia da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu, também era pescador.
Eles tiveram que abandonar o local com medo da polícia e venderam a propriedade por um preço quase simbólico. Nos sentimos muito ameaçados, não tinha mais como continuar lá, explica. Adenilson, que trabalhava como laranja (transportava mercadorias de sacoleiros do Paraguai para o Brasil), ajudava o pai nas pescarias, na ordenha e na venda da carne de porco, atividades que rendiam a familia R$ 1 mil todo mês. Mirta Mongelos, mãe de Arnaldo Oziel Mongelos, que perdeu a vida aos 16 anos, trabalha hoje como diarista e ganha pouco mais de R$ 200,00 por mês. Ele falava que estudava bastante para ter um emprego melhor e que ia me ajudar nas despesas assim que conseguisse um bom emprego, conta Mirta, que na época da chacina trabalhava em uma creche da Pastoral da Criança, que tempos depois foi desativada. (L.F.M.)





