Dificuldade é de trabalho formal
Dar uma chance a quem já pagou sua dívida com a sociedade. Esse é um dos argumentos de Tadeu José Migoto, diretor do Patronato Penitenciário de Londrina, que atende 1,7 mil beneficiários, entre egressos e aqueles que cumprem pena alternativa. Destes, 787 são do sistema penitenciário, que estão em liberdade vigiada e regime aberto, por exemplo, e 937 são penas em liberdade, substitutivas à prisão.
Com a intervenção do Patronato, geralmente os apenados realizam serviços à comunidade. Eles não recebem dinheiro, mas cada hora de trabalho corresponde a um dia a menos na prisão ou de pena. A prestação de serviço - gratuita e obrigatória - é realizada em instituições filantrópicas, assistenciais, educativas públicas ou estaduais.
Não temos problemas em conseguir convênio com instituições, até mesmo porque são locais que necessitam de ajuda. A dificuldade está nas empresas darem a chance de emprego formal com carteira assinada a esses apenados e, principalmente, aos egressos, destaca o diretor. Hoje, o Patronato possui 120 empresas conveniadas.
Além do acompanhamento na prestação de serviço, o Patronato faz encaminhamentos às agências de empregos. Apesar do esforço, a colocação é muito difícil. Enquanto ele está conosco, damos assistência social, atendimento psicológico e até mesmo jurídico. Mas lá fora, o emprego vai depender dele. Se ele tiver um ensino formal ou curso profissionalizante, terá melhores chances.
Sobre a campanha, Migoto é otimista. Campanhas como essa são fundamentais para sensibilizar a sociedade e mostrar que o atendimento que ele recebe dentro da unidade penal ajuda em sua recuperação. Precisamos tirar essa impressão de que entra ruim e sai pior.
O Patronato Penitenciário é o antigo Pró-Egresso (Programa de Assistência ao Egresso), que promove atendimento nas cadeias públicas, fornecendo principalmente apoio jurídico. Hoje, o programa é dirigido pela Secretaria de Justiça do Estado. Por lei, todos os estados que possuem Vara de Execuções Penais deveriam ter um Patronato. No Paraná são duas unidades: em Curitiba e Londrina. (M.T.)





